Liga condena detenção e exige libertação de manifestantes na Guiné-Bissau

por Lusa

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, condenou hoje a detenção de "mais de 20" pessoas numa manifestação desmobilizada pela polícia, em Bissau, e exigiu a libertação imediata dos detidos.

As detenções ocorreram ao início da manhã na capital, quando a polícia começou a dispersar aglomerações de pessoas em diversos pontos da cidade, no âmbito da manifestação contra o regime promovida pela Frente Comum, constituída por várias organizações guineenses.

A Liga convocou uma conferência de imprensa, na qual o presidente disse ter a informação de que "cerca de duas dezenas de manifestantes foram detidos", entre os quais o coordenador da Frente Popular, Armando Lona, e a presidente de Associação Juvenil para a Promoção dos Direitos Humanos, Mansata Mónica Barbosa Sila.

"E alguns deles foram espancados pelas forças de segurança", disse Bubacar Turé, vincando que a Liga "condena vigorosamente esta atitude arbitrária e ilegal das forças de segurança".

A organização de Direitos Humanos exige "a libertação imediata" e "também responsabiliza o Ministério do Interior pela integridade física de todos os detidos".

Para a Liga, "esta atitude do Ministério do Interior, para além de violar a Constituição da República e todos os compromissos internacionais assumidos pelo Estado da Guiné-Bissau, também é uma atitude que discrimina os cidadãos".

"Todos os cidadãos do povo guineense assistem todos os dias a comícios e desfiles políticos de pessoas afetas ao regime instalado na Guiné-Bissau. É um direito que lhe assiste, agora o que não podemos aceitar é impedir outros cidadãos de exercer essas liberdades fundamentais", afirmou.

Bubucar Turé considerou que isto significa que a Guiné-Bissau tem "um regime que tem medo das liberdades fundamentais dos cidadãos, que tem medo de ser escrutinado, tem medo de ser criticado, que tem medo dos direitos humanos".

"Mais uma vez condenamos essas atitudes ditatoriais e autoritárias que visam confiscar as liberdades fundamentais dos cidadãos e reduzir a Guiné-Bissau ao silêncio", acrescentou.

O presidente da Liga dirigiu-se às forças de segurança para lembrar que "são instrumento para a defesa da legalidade, de proteção dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos, não são instrumentos de repressão, não são instrumentos para ataque contra direitos fundamentais dos cidadãos".

"Todos os elementos das forças de segurança que estão a cumprir ordens ilegais, estão a atacar os cidadãos, saibam que cedo ou tarde serão responsabilizados ", disse, apontando exemplos de "poderosos" que hoje estão nas cadeias.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou ainda que o comentador político guineense Augusto Nansambe foi intimado a depor no Ministério do Interior, que se recusou a ir e que as forças de segurança vandalizaram a residência e prenderam um sobrinho.

Os acontecimentos de hoje surgiram na sequência da convocação de uma "mega manifestação pacífica" da Frente Comum para "Resgatar a República" da Guiné-Bissau.

Os promotores dizem que o país está a viver num contexto "absolutista, com supressão de direitos, liberdades e garantias".

Alguns manifestantes juntaram-se ao início da manhã em várias zonas de Bissau em pequenas aglomerações imediatamente dispersadas pela Polícia de Intervenção Rápida.

Numa dessas aglomerações, num entroncamento do bairro do Quelelé, cinco jovens foram detidos, duas raparigas e três rapazes, e levados em duas carrinhas da polícia.

O momento, por volta das 07:30, foi observado pela Lusa, quando um grupo de polícias colocou dois rapazes e duas raparigas na parte traseira de uma viatura policial, recorrendo ao uso da força.

Da mesma forma foi detido um quinto jovem, levado por cerca de 20 elementos das forças policias, que o obrigaram a sentar-se com uma "rasteira", e a envergar o cartaz que o mesmo trazia alusivo à manifestação.

Outra manifestação tinha sido anunciada para hoje, no mesmo local e à mesma hora, pelo movimento "Respeito pelo Autoridade do Estado", que apoia o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, mas não foi visível em Bissau.

Depois do anúncio das duas manifestações de movimentos distintos, o Governo guineense avisou os promotores e cidadãos para "abdicarem" de sair à rua e de desafiar a ordem pública.

Desde janeiro que o Governo de iniciativa presidencial proibiu qualquer tipo de manifestação em todo o território nacional.

 

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