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Macau quer fronteiras mais seguras contra "interferência de forças externas"

Macau quer fronteiras mais seguras contra "interferência de forças externas"

O secretário para a Segurança de Macau, Chan Tsz King, prometeu que a região irá reforçar a segurança nas fronteiras em 2026, "para evitar a interferência de forças externa", mas sem apontar quaisquer ameaças.

Lusa /

"Aprimoraremos ainda mais a vigilância de segurança nos portos marítimos e terrestres, para evitar a interferência de forças externas", disse Chan à emissora pública TDM -- Teledifusão de Macau.

Numa mensagem a propósito do Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que começou na terça-feira, o dirigente não identificou quais as ameaças vindas do estrangeiro, mas prometeu "salvaguardar integralmente a segurança nacional".

"Continuaremos a fortalecer as nossas capacidades de recolha e análise de inteligência, especialmente por meio de intercâmbios de inteligência contínuos com a China continental e Hong Kong", disse também Chan Tsz King.

Em novembro, o secretário prometeu criar, em 2026, um sistema de alerta de riscos contra a segurança nacional da China e alertou contra "atos de interferência e destruição" por parte de "forças externas".

Em 31 de julho, a polícia de Macau anunciou a detenção do ex-deputado e ativista pró-democracia Au Kam San, cidadão português, no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional da região, que entrou em vigor em 2009 e cujo âmbito foi alargado em 2023.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

Em 05 de fevereiro, o diretor da Polícia Judiciária de Macau garantiu aos jornalistas que havia provas suficientes para justificar a detenção de Au Kam San.

"As provas são muitas e estamos a entrar no processo de julgamento, por isso não podemos divulgar os detalhes", disse Sit Chong Meng.

Três dias antes, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch disse que o caso de Au Kam San ilustra a "erosão da autonomia e das liberdades fundamentais" em Macau.

Em novembro, o chefe da Delegação da União Europeia (UE) em Hong Kong e Macau escreveu nas redes sociais que se tinha encontrado com o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Anton Tai Kin Ip.

"Também expressei preocupação com questões políticas", acrescentou o britânico Harvey Rouse.

Mas a representação da UE escusou-se a revelar à Lusa se o processo contra Au Kam San foi mencionado na reunião.

Em setembro, durante uma visita a Macau, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu que não discutiu a detenção do cidadão português com o líder do território, Sam Hou Fai.

"Não foi objeto da nossa conversa, mas é um assunto, esse e outros, que nós acompanhamos e que nós promovemos com a necessária discrição", disse Montenegro aos jornalistas.

"Há alguns assuntos que merecem também algum recato no tratamento e esse é um deles", defendeu o primeiro-ministro.

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