Macron apela ao Irão para não quebrar compromissos nucleares

por RTP

Emannuel Macron pediu ao Irão para não desistir do acordo nuclear de 2015 nem dar sinais de que poderá fazê-lo. O Presidente francês, que se vai juntar aos outros líderes mundiais na cimeira do G20 no Japão, diz que pretende debater esforços com Donald Trump para evitar uma escalada militar.

A tensão entre os Estados Unidos da América e o Irão, nas últimas semanas, tem alarmado os aliados europeus, principalmente depois dos ataques aéreos que Donald Trump ordenou e cancelou apenas minutos antes dos mesmos.

Desde o ano passado que os EUA têm alterado e aumentado as sanções aplicadas ao Irão, que em resposta alertou que podia tomar medidas que violassem o acordo nuclear.

Mas a tensão entre Washington e Teerão começou a intensificar e a tomar uma dimensão militar quando, nas últimas semanas, os EUA acusaram o Irão pelos ataques aos petroleiros no Golfo e ao abate de um drone da Marinha norte-americana, que segundo Trump sobrevoava espaço aéreo internacional.

O avião não tripulado norte-americano de vigilância marítima RQ-4A Global Hawk foi abatido pelas forças iranianas, na passada quinta-feira, mas o Irão alega que se encontrava sob espaço aéreo iraniano e que alertou antes de lançar um míssil para o derrubar. Além disso, o Irão nega a responsabilidade pelos ataques aos navios.
Evitar escalada militar
Emmanuel Macron, citado pela Reuters, diz que as prioridades são manter o Irão no acordo nuclear e evitar uma escalada militar. "Eu tive uma conversa com o presidente (Hassan) Rouhani há alguns dias e alertei que qualquer saída do acordo seria um erro, assim como, qualquer sinal nessa direção", disse o Presidente francês.

“As tensões estão a aumentar e, para mim, o primeiro ponto é que não há saída do ‘framework’. O segundo ponto, e vou discutir isso com o presidente (Trump) amanhã, é fazer de tudo para evitar uma escalada militar”, afirmou Macron quarta-feira.

O presidente francês disse, ainda, que a França acredita que o drone norte-americano estaria em espaço aéreo internacional quando foi abatido e, nesse sentido, o ataque do Irão “foi uma agressão que foi mais um passo nesta escalada” militar e na intensificação da tensão entre os dois países.

O Irão diz que não quer desistir do acordo nuclear. No entanto, alerta que não pode continuar sem benefícios económicos. Por isso, nos últimos dias tem estabelecido prazos para que os países europeus protejam o país das sanções aplicadas pelos EUA ou, caso isso não se verifique, Teerão pode tomar medidas que violem o acordo.

O Presidente de França diz que já há conversações no sentido de encontrar soluções e maneiras de melhorar o acordo nuclear.

Por outro lado, o Presidente dos EUA diz que o acordo nuclear, acordado ainda por Barack Obama, tem falhas porque não é permanente nem abrange áreas fora da atividade nuclear, como, por exemplo, o programa de mísseis do Irão.

Os EUA convocaram o Irão a conversações “sem pré-condições”, mas o Irão recusa-se a negociar caso a Administração Trump não altere as sanções.
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