Trump. Se os EUA forem atacados o Japão irá assistir à guerra pela televisão

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Donald Trump à chegada a Osaka, Japão, a 27 de junho de 2019, para a Cimeira do G20.
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O Presidente dos Estados Unidos regressou a um slogan da sua campanha de 2016, voltando a queixar-se de "quase todos os países do mundo" que, afirma, se aproveitam dos Estados Unidos em matéria de Defesa, pouco dando em troca. E deu como exemplo o Japão.

Se os Estados Unidos forem atacados, o Japão "não tem nada que nos ajudar" e pode ficar a assistir "numa televisão Sony", lamentou Donald Trump, referindo-se à desigualdade de esforços prevista na aliança militar entre ambos os países.

A crítica surgiu durante uma entrevista à Fox Business Network, na noite passada, depois de uma pergunta sobre eventuais acordos comerciais bilaterais a serem negociados na próxima reunião do G20, a ter lugar esta sexta e sábado, precisamente no Japão.

Trump tem previstas varias reuniões com diversos homólogos, incluindo o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

"Deixe-me começar por uma declaração geral - quase todos os países do mundo tiram imenso proveito dos EUA", disse o Presidente americano durante a entrevista telefónica, mencionando diretamente a NATO. Seguiram-se os termos estabelecidos na aliança militar entre o Japão e os Estados Unidos.

"Se o Japão for atacado, iremos combater na Terceira Guerra Mundial, com as nossas vidas e o nosso capital", afirmou Trump, acrescentando, "se formos atacados o Japão não tem nada que nos ajudar". O país "pode ver o ataque na televisão Sony, OK".

O acordo militar vigente entre os dois países foi assinado em 1951 na cidade americana de São Francisco, pondo oficialmente fim à Segunda Guerra Mundial.

Foi revisto em 1960, em plena Guerra Fria, passando a denominar-se "Tratado da Cooperação Mútua e de Segurança entre os Estados Unidos e o Japão" e autorizando os norte-americanos a estabelecer bases militares em solo japonês, sob o entendimento de que defenderia o Japão se este fosse atacado.

Washington e Tóquio são aliados próximos há mais de 70 anos. Agora, Donald Trump estará em privado a remoer a ideia de denunciar o tratado militar com o Japão, que vê como unilateral.

O Presidente norte-americano prefere diminuir a presença militar norte-americana na Asia, convencendo o Japão a garantir a sua própria defesa face à Coreia do Norte, através da aquisição de armamento dos Estados Unidos.

Também os aliados europeus da NATO têm sido severamente criticados por Trump, que os acusa de pouco fazerem para cumprir a meta estabelecida de investir em Defesa dois por cento do próprio PIB. Apenas sete países estão a cumprir a regra. Para o atual Presidente dos EUA, a organização é mesmo "obsoleta" e toda a questão da falta de investimento em Defesa liga-se a disputas comerciais noutras áreas, considera.

As criticas americanas à NATO não são apanágio de Trump e já outros Presidentes as referiram, contudo, Donald Trump tornou-as um tema central da sua campanha e da política externa da sua Administração.

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"Tratado da Cooperação Mútua e de Segurança entre os Estados Unidos e o Japão", G20, Shinzo Abe, Donald Trump,

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