Trump imagina eventual guerra com Irão curta e sem tropas no solo

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“Espero que não cheguemos a esse ponto, mas se algo acontecer nós teremos uma posição muito forte”, afirmou Trump
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Donald Trump garantiu esta quarta-feira que, em caso de guerra com o Irão, os Estados Unidos adotarão uma “posição forte” e que não haverá necessidade de “tropas no solo”. O Presidente norte-americano acredita que um eventual conflito “não duraria muito tempo”, mas diz esperar que tal não venha a acontecer. Em entrevista à Fox Business, confessou ainda que gostaria de ver Mario Draghi à frente da Reserva Federal.

“Espero que não cheguemos a esse ponto, mas se algo acontecer nós teremos uma posição muito forte”, declarou Trump em entrevista à Fox Business. “Não estou a falar de tropas no solo. Estou a dizer que, se algo acontecer, não duraria muito tempo”.


Na terça-feira, o Presidente norte-americano levantou ameaças contra o Irão no caso de este protagonizar um ataque contra os Estados Unidos ou “qualquer coisa que seja americana”.


“Qualquer ataque do Irão contra qualquer coisa que seja americana será recebido com uma força grande e avassaladora. Em algumas áreas, grandiosa significará aniquilação. Basta de John Kerry e Obama”, escreveu no Twitter.

“A liderança iraniana não entende as palavras simpatia ou compaixão, nunca as entenderam. Infelizmente, aquilo que entende é força e poder, e os Estados Unidos são, de longe, a mais poderosa força militar do mundo, com 1,5 mil milhões de dólares investidos apenas nos últimos dois anos”.

Na segunda-feira, Donald Trump oficializou as sanções contra a liderança iraniana, incluindo Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica, e Javad Zarif, ministro dos Negócios Estrangeiros. O ayatollah fica, assim, sem acesso a fontes de financiamento, numa nova tentativa de Washington para isolar economicamente o Irão.

No dia seguinte, o Presidente norte-americano declarou que, quando o Irão estiver pronto “para o que quer que seja” deve avisar os Estados Unidos. “É muito simples. O que quiserem fazer, eu estou pronto”.

“É uma pena que isto esteja a acontecer. Eles estão a viver mal neste momento, o seu país não está nada bem economicamente. Isso pode ser mudado muito rapidamente, muito facilmente, mas para isso a liderança tem de acabar com a hostilidade e falar decentemente connosco”, defendeu.
UE "acompanha de perto" a situação

Esta quarta-feira o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, frisou que a União Europeia “está a acompanhar a situação de perto e está preocupada com a tensão na região do Golfo Pérsico”.

As declarações de Tusk chegam poucos dias depois de Donald Trump ter abortado uma operação militar que tinha ordenado na sequência do abatimento de um drone norte-americano por parte do Irão.

Teerão alega que o avião não tripulado de vigilância norte-americano estava em espaço aéreo iraniano e que foi alertado várias vezes antes de ser lançado um míssil contra o mesmo.

Também Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, garantiu na terça-feira que o drone se encontrava a invadir o espaço aéreo iraniano, algo que diz ter sido possível determinar através da utilização de equipamentos russos de vigilância militar.

Numa reunião inédita entre os conselheiros de Segurança Nacional norte-americano, israelita e russo, que decorreu ontem em Jerusalém, Nikolai Patrushev considerou inaceitável retratar o Irão como uma ameaça à segurança internacional e apelou à moderação para que os conflitos possam diminuir.
Tensão crescente
A tensão entre Irão e Estados Unidos atingiu o pico no início de maio, quando a Administração Trump destacou um porta-aviões e bombardeiros para o Médio Oriente de modo a “passar uma mensagem” ao Irão e impedir eventuais ataques por parte do país contra as forças norte-americanas na região.

Poucos dias depois, Teerão anunciou a retirada parcial do acordo nuclear que tinha assinado com outros seis países em 2015 e que os Estados Unidos haviam já abandonado no ano passado. O Presidente iraniano, Hassan Rouhani, ameaçou mesmo retomar o enriquecimento de urânio.

Na terça-feira, o Irão anunciou que irá libertar-se "resolutamente" de dois outros dos seus compromissos no quadro do acordo internacional sobre o seu programa nuclear "a partir de 7 de julho" e disse estar cansado da "insolência" dos europeus.
Trump gostaria de ver Draghi na Fed
Ainda em entrevista à Fox Business, Donald Trump, disse que nomeou Jerome Powell para a liderança da Reserva Federal (Fed), mas que agora gostaria de ver no cargo Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Trump tem repetido nas últimas semanas as críticas à Fed, banco central norte-americano, reclamando uma descida das taxas de juro. “Devíamos ter Draghi” em vez de Powell, defendeu esta quarta-feira.

“Ninguém tinha ouvido falar de Powell” antes de este ter sido escolhido para a Fed, acrescentou o Presidente. “É graças a mim que está lá e agora quer mostrar que é duro”, afirmou, considerando que “ele não está a fazer um bom trabalho”.

“O que a Europa fez com Draghi foi reforçar a entrada de dinheiro, e nós estamos a fazer o oposto. Nós estamos a retirar dinheiro e a elevar as taxas de juro. É de loucos”.

c/ agências

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