Irão. Do aliviar da tensão ao risco de uma "guerra acidental"

por Alexandre Brito - RTP
Foi um drone semelhante a este que os iraniano abateram Reuters

O porta-voz do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira que Teerão espera que a tensão na região possa ser aliviada depois dos últimos confrontos com os Estados Unidos. "Não queremos um aumento da tensão", afirmou Abbas Mousavi. Isto na mesma altura em que o ministro das Telecomunicações disse que os ciberataques norte-americanos não tiveram sucesso e em que o vice-almirante da Marinha afirmou que o drone que foi abatido representou uma "resposta firme" que pode ser repetida.

É um discurso a várias vozes. Com uma tentativa de acalmar a tensão, pelas palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros, mas também com um registo de desafio, com os militares a classificaram como uma "resposta firme" o momento em que abatarem um drone norte-americano sobre o Estreito de Ormuz.

"Todos viram que atingimos um drone não tripulado", disse o vice-almirante da Marinha iraniana. "Posso assegurar que esta resposta firme pode voltar a acontecer, e o inimigo sabe disso".
Guerra acidental
A tensão aumentou nos últimos dias depois de um drone norte-americano ter sido abatido pelas forças militares iranianas.

Em entrevista à BBC Radio, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros afirmou que o Reino Unido não acredita que quer os Estados Unidos quer o Irão queiram entrar em guerra, mostrando-se no entanto muito preocupado com o facto de que se a tensão não diminuir, o inesperado pode mesmo acontecer.

"Estamos muito preocupados", disse Jeremy Hunt. "Estamos preocupados que possam entrar numa guerra acidental e estamos a fazer todos os possíveis para acalmar as coisas".

O Reino Unido, acrescentou, tem estado em contacto permanente com os EUA sobre a situação da região.
A resposta norte-americana. Ciberataques
Depois de o drone dos EUA ter sido abatido, o Presidente norte-americano prometeu uma resposta firme. Mas um plano para atingir alvos no Irão terá sido abortado à última hora.

Donald Trump chegou a autorizar a operação, mas decidiu recuar “dez minutos antes” por considerar que não era a resposta “proporcional” ao abate de um drone norte-americano e tendo em conta o número de vítimas que esse ataque iria provocar.

Soube-se depois que os EUA atacaram o Irão mas num outro tipo de guerra. Um ciberataque, que já estaria a ser preparado há algum tempo, para atingir as estruturas informáticas militares, em particular os sistemas de lançamento de mísseis.

Esta segunda-feira, o ministro iraniano das Telecomunicações afirmou que esse ataque não teve qualquer sucesso.

"Eles tentaram, mas não conseguiram realizar qualquer ataque com sucesso", disse Mohammad Javad Azari Jahromi.
"Não estou à procura de guerra"

Em entrevista a uma estação de televisão norte-americana, que passou este domingo, o Presidente dos EUA considerou que o Irão está disposto a chegar a um acordo e acredita que Teerão não estava a tentar provocar os EUA quando esta semana abateu um drone norte-americano.

“Penso que eles querem negociar. Acho que querem fazer um acordo. E o meu acordo é nuclear. Eles não vão poder ter uma arma nuclear”, declarou Trump à estação norte-americana NBC. “Eu acho que eles não gostam da posição em que estão. A sua economia está completamente arrasada”, acrescentou.

Apesar de ter já anunciado que irá aumentar as sanções sobre o Irão a partir de segunda-feira, o Presidente norte-americano garante agora que não está “à procura de uma guerra” e disse estar preparado para alcançar um acordo que impulsione a economia iraniana, numa aparente tentativa de diminuir a tensão entre os dois países.
Protejam os vossos navios

Já ao início da tarde, no Twitter, o presidente norte-americano escreveu que a "China recebe 91 por cento do petróleo do Estreito (de Ormuz), o Japão 62%", tal como "muitos outros países", para logo acrescentar que os EUA estão a "proteger as rotas dos navios para outros países" sem qualquer compensação.

Diz ainda Donald Trump que os EUA nem sequer "precisam lá estar" uma vez que se tornaram, alega, no "maior produtor de energia do Mundo".

"O que os Estados Unidos exigem ao Irão é muito simples - sem armas nucleares e sem apoio ao terror", acrescento.
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