Manifestação contra a extrema-direita na véspera das eleições alemãs

Os eleitores alemães vão às urnas no domingo para escolher o próximo chanceler, ainda sem saber a constituição do próximo Governo. A imigração e a segurança interna, com o conflito na Ucrânia a mudar de cenário e o regresso de Donald Trump à Casa Branca, são os temas que mais têm estado em debater na campanha. E na véspera das Eleições Legislativas, centenas de pessoas saíram à rua, em Berlim, para se manifestarem contra a extrema-direita, que também está em protesto este sábado.

Inês Moreira Santos - RTP /
Christian Mang - Reuters

A menos de 24 horas de abrirem as urnas, as ruas da capital foram palco de momentos de tensão, quando centenas de pessoas que se manifestavam contra a extrema-direita se cruzaram com apoiantes do partido AfD.

No início da manifestação, organizada e autorizada, os dois grupos cruzaram-se. Sem estar previsto o encontro, os manifestantes anti-fascistas sentaram-se no chão, num bairro oriental de Berlim, e esperaram que os manifestantes do AfD se aproximassem para, alegadamente, os perseguir.

A polícia conseguiu evitar o confronto, embora tenha havido relatos de empurrões entre membros dos diferentes grupos e necessidade, em alguns momentos, de intervenção policial. Posteriormente, a manifestação contra a extrema-direita continuou como previsto.
As autoridades voltaram a fazer uma barreira para evitar confrontos e acabando por obrigar os manifestantes, que se intitulam da "esquerda democrática", a desmobilizar.

Foram momentos de tensão, nas vésperas das eleições e num contexto de fragmentação política no país, como revelam as sondagens e intenções de voto: um em cada cinco alemães ainda não sabem em quem vão votar. Além disso, a extrema-direita está apontada como o possível segundo partido mais votado.
Cerca de duas centenas de jovens apoiantes do partido AfD desfilaram este sábado em Berlim, sob os apupos de populares e de muitos mais ativistas antifascistas, e sob uma operação policial a que tentava evitar confrontos.

Convocada por um antigo membro do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Ferhat Sentürk, que já organizara em dezembro passado, também na capital alemã, um evento que terminou em confrontos entre a polícia e ativistas de esquerda, a manifestação de hoje, alegadamente "contra o extremismo de esquerda e a violência politicamente motivada", decorreu sob fortes medidas de segurança, com a polícia a montar barricadas ao longo de todo o trajeto do desfile e a destacar centenas de agentes, incluindo a força de intervenção.

Liderados por Sentürk – acusado de defender a ideologia nazi, mas cujas raízes turcas levam elementos da extrema-direita alemã a rejeitar participar nas suas iniciativas –, os cerca de 200 manifestantes foram entoando cânticos ao longo do trajeto, “contra o extremismo de esquerda” e “a peste vermelha”, e por uma “Alemanha acima de tudo”.

Tiveram de fazer longos compassos de espera antes de chegar à estação central, enquanto a polícia de intervenção lidava com vários grupos de ativistas antifascistas que procuravam contornar as barricadas montadas para interromper o desfile.

Estas manifestações aconteceram a menos de 24 horas de os alemães serem chamados às urnas para eleições legislativas antecipadas. As sondagens apontam para que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha seja a segunda força política com mais votos, em redor dos 20 por cento, apenas superada pelos conservadores da CDU, de Friedrich Merz, e à frente dos socialistas do SPD, do ainda chanceler Olaf Scholz.


C/Lusa
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