Manifestações anti-ICE. Homem morto por agentes federais será norte-americano
Um vídeo não confirmado que circula nas redes sociais mostra vários agentes com coletes estampados com a palavra "Police" a lutar para derrubar uma pessoa antes de dispararem contra ela várias vezes.
O homem morto hoje por agentes federais em Minneapolis, nos Estados Unidos, era um "homem branco de 37 anos", residente na cidade e aparentemente "um cidadão norte-americano", anunciou brian O'Hara, chefe da polícia local.
O presidente Donald Trump justificou entretanto a ação dos agentes federais que, segundo eles, estava armado com uma pistola, e apontou o dedo ao governador do Minnesota, Tim Walz, e ao mayor local, ambos eleitos democratas, de estarem a incitar a uma insurreição.
"O mayor e o governador estão a incitar à insurreição com a sua retórica pomposa, perigosa e arrogante", acusou o presidente americano na Truth Social, considerando que a polícia de imigração deve ser deixada em paz para "fazer o seu trabalho".
Numa conferência de imprensa, Brian O`Hara indicou que a polícia recebeu "um relato de tiroteio" às 9:03 locais (mais seis horas em Lisboa) na zona sul da cidade, envolvendo agentes da polícia anti-imigração (ICE, na sigla em inglês).
A polícia não recebeu qualquer informação das autoridades federais, mas o responsável remeteu para um vídeo que está a circular nas redes sociais - que mostra vários homens com a cara tapada e com a inscrição "Police" na roupa a derrubar um homem, antes de disparar várias vezes -, acrescentando: "O vídeo fala por si".
Questionado sobre declarações do Departamento de Segurança Interna de que o homem estava armado, O`Hara reiterou não ter relatos oficiais dos acontecimentos.
"O que posso dizer é que identificámos esta pessoa, um homem branco de 37 anos, residente na cidade. A única interação de que temos conhecimento com as autoridades foi por multas de trânsito, e acreditamos que ele é um proprietário legal de armas com licença para portar arma", adiantou.
O chefe da polícia acrescentou que no local do incidente permanecia um "ajuntamento ilegal", apelando às pessoas que "evitassem a área e que saiam de lá".
"Reconhecemos que há muita raiva e muitas questões sobre o que aconteceu, mas precisamos que as pessoas permaneçam em paz. (...) Pedimos a todos que mantenham a calma e, por favor, não destruam a nossa própria cidade", salientou.
O governador do Minnesota, Tim Walz, denunciava também ele "mais um tiroteio horrível por agentes federais", apelando ao presidente Donald Trump para acabar com a operação anti-imigração e retirar os "milhares de agentes violentos" daquele Estado norte-americano. "O Minnesota está farto. Isto é repugnante", sublinha o governador democrata Tim Walz.
"Acabei de falar com a Casa Branca após mais um tiroteio horrível por agentes federais esta manhã. O Minnesota está farto. Isto é repugnante", escreveu o governador democrata na rede social X.
O presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, "tem de acabar com esta operação", defendeu, deixando um apelo: "Retirem os milhares de agentes violentos e sem formação do Minnesota. Agora".
Pouco antes, a autarquia de Minneapolis afirmou na mesma rede social que tinha conhecimento de "novos tiroteios envolvendo forças federais" perto de um cruzamento nesta grande cidade do norte dos Estados Unidos que tem sido abalada desde há várias semanas por manifestações contra a presença do ICE.
Protestos anti-ICE
Na sexta-feira, milhares de pessoas saíram às ruas de Minneapolis para denunciar abusos cometidos nas últimas semanas nas operações do ICE, depois de um agente federal ter disparado e matado a cidadã norte-americana Renee Nicole Good a 7 de janeiro.
Esta mobilização foi enquadrada num grande dia de protesto em que os organizadores apelaram a uma greve - laboral, escolar e de consumo - "para se opor às ações do governo federal contra o Estado", dentro do movimento de protesto `ICE Out for Good` (`ICE Fora de Vez`), que abrange mais de uma centena de organizações como sindicatos, grupos de direitos civis e entidades religiosas.
Os manifestantes saíram à rua enfrentando temperaturas de 23 graus negativos.
Os organizadores exigiram a saída do ICE do estado do Minnesota, a abertura de processos legais contra o agente que matou Renee Good, o fim do financiamento do ICE nos próximos orçamentos federais e uma investigação "por violações constitucionais e humanas dos americanos e dos nossos vizinhos."
Além disso, instaram as empresas a cessarem as suas relações económicas com o organismo federal.
Os manifestantes tiveram de enfrentar uma vaga de frio que varreu os Estados Unidos e causou temperaturas de 23 graus Celsius negativos.
"Estão -23 graus e milhares de pessoas ainda assim apareceram em massa em Minneapolis. É assim que somos", disse o presidente da câmara da cidade, Jacob Frey, que demonstrou o seu apoio às mobilizações.
c/ agências