Membros do Conselho de Segurança da ONU condenam ataques militares indiscriminados em Myanmar

por Lusa

Nove dos 15 Estados-membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram hoje a violência contra civis em Myanmar (antiga Birmânia), incluindo ataques aéreos indiscriminados pelos militares, alertando para a "terrível situação" no país.

Num comunicado conjunto a assinalar três anos desde o golpe militar que derrubou o Governo democraticamente eleito, Equador, Eslovénia, Estados Unidos, França, Japão, Malta, Reino Unido, Coreia do Sul e Suíça instaram as Forças Armadas de Myanmar a cessarem os seus ataques contra civis e infraestruturas civis.

"Três anos depois, mais de 18 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária e 2,6 milhões foram e continuam deslocados das suas casas. Reiteramos o repetido apelo do Conselho ao acesso humanitário pleno, rápido, seguro e desimpedido a todas as pessoas necessitadas, incluindo mulheres, crianças e membros de populações étnicas e outras minorias", diz a nota.

Os Estados-membros admitiram "profunda preocupação" com a situação no estado de Rakhine, "que se deteriorou ainda mais após o colapso do cessar-fogo" e lamentaram que os Rohingya, que enfrentam discriminação sistemática há décadas, "continuem a ser desproporcionalmente afetados pelo conflito".

Os nove países instaram novamente os militares de Myanmar a libertarem imediatamente todos os prisioneiros detidos arbitrariamente, incluindo o Presidente Win Myint e a conselheira de Estado Aung San Suu Kyi.

Reiterando um forte apoio à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e ao seu papel na procura de uma solução pacífica para a crise em curso, os membros do Conselho de Segurança disseram aguardar com expectativa a nomeação de um enviado especial do secretário-geral da ONU para Myanmar e frisaram que continuam "solidários com o povo de Myanmar e com o seu desejo de um futuro pacífico, inclusivo e democrático".

Myanmar tem estado em turbulência desde a tomada do poder pelo Exército em 2021, o que levou a protestos pacíficos em todo o país que o Governo da Junta Militar reprimiu com recurso à violência, desencadeando uma resistência armada generalizada que alguns responsáveis da ONU caracterizaram como guerra civil.

 

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