Merkel recusa dar mais tempo à Grécia

A chanceler alemã desautorizou hoje publicamente o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, que tinha defendido um escalonamento dos compromissos da Grécia por um período mais longo do que o previsto inicialmente. Segundo Merkel, "o Governo grego vai cumprir e tem de cumprir as suas obrigações".

RTP /
A chanceler alemã, Angela Merkel Wolfgang, Kumm, Epa

A chanceler democrata-cristão desautorizou o seu ministro liberal afirmando, segundo citação da Agência France Press (AFP): "As eleições não podem pôr em causa as obrigações assumidas pela Grécia. Não podemos negociar sobre as etapas das reformas que foram objecto de um acordo".

E sublinhou também: "Não discutimos um novo programa", acrescentando ainda que "o Governo grego vai cumprir e tem de cumprir as suas obrigações". Merkel falava numa conferência de imprensa em Los Cabos, México, pouco antes de se iniciar a cimeira do G-20.

Nas duras declarações que proferiu em Los Cabos, Merkel não esteve, contudo, sozinha. Jörg Asmussen, um dos directores do Banco Central Europeu, afirmou também, ainda segundo a AFP, que afrouxar os prazos para atingir metas orçamentais gregas faria aumentar os custos de financiamento.

Por seu lado, Werterwelle também não estivera sozinho em manifestar a sua preferência por uma suavização das condições impostas à Grécia, quando hoje se declarou, aos microfones da Deutschlandfunk, "disposto a discutir sobre isso, no que diz respeito ao calendário, porque não sepode ignorar as semanas perdidas [com as eleições]".

Além de Westerwelle, também o secretário de Estado das Finanças Steffen Kampeter, neste caso um correligionário democrata-cristão de Merkel, dissera à ARD que "não se deve exigir demasiado" à Grécia. O site de Der Spiegel cita entretanto algumas outras opiniões no mesmo sentido, não de detentores de poder político, mas em todo o caso de influentes economistas ou empresários.

Um deles, responsável do Berenberg Bank, Holger Schmieding, sustenta que "poupar é, con efeito, o medicamento certo, mas foi prescrito em overdose". E explicava a "overdose" pelas consequências da medicação na economia: "Quando se atrofia deste modo a procura, isso tem um efeito catastrófico sobre a economia". E, partindo destas premissas, preconiza que se dê à Grécia mais dois anos.


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