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Migrantes menores "têm de ser postos num local seguro", exige ONG espanhola em Ceuta
Quase uma semana depois da entrada massiva de migrantes em Ceuta, quem ficou enfrenta agora a falta de ajuda. Entre solicitações, a Federação Sur Acoge afirma à RTP Antena 1 que tratar da situação dos menores não acompanhados é a prioridade máxima.
O retrato é dramático: há fome, sede e falta de esperança entre os migrantes que chegaram à cidade espanhola. A Federação Sur Acoge, uma rede de 11 associações de defesa de direitos humanos e de apoio a migrantes, tem uma equipa permanente de cinco elementos em Ceuta. Essa equipa foi entretanto reforçada com mais dois elementos, perante as solicitações que têm tido e sem mãos a medir.
No entanto, há uma questão que o diretor-geral desta organização não governamental (ONG) considera essencial entre os milhares de migrantes que entraram em Ceuta. "Estamos a falar de crianças com menos de 10 anos e que têm de ser identificadas", conta José Miguel Morales à RTP Antena 1. Para este responsável, "estes menores têm de ser postos num local seguro, onde não sejam ameaçados", até porque, diz, conhece situações de meninas violadas nos últimos dias em Ceuta "porque não estavam em segurança".
"É fundamental que todas as crianças sejam identificadas e que depois as autoridades espanholas, à luz da lei, determinem se elas podem regressar a Marrocos com as suas famílias", sublinha, e, se não for possível ficarem com os familiares, aponta que têm de passar a ser parte do sistema espanhol de proteção de menores.
O Governo de Pedro Sánchez disponibilizou na última terça-feira 25 milhões de euros para que Ceuta responda a este problema. É uma verba que pode não ser suficiente, "é difícil de perceber qual o apoio necessário".
O diretor-geral da Federação Sur Acoge defende que é preciso saber ao certo quantos menores estão em Ceuta e quais podem regressar às suas famílias. "É por isso que insistimos na urgência de identificar esses menores e de colocá-los num lugar seguro", acrescenta, afirmando também que, se esse investimento for "bem feito", converte-se "num enorme ganho para a sociedade, porque essas crianças se tornam profissionais e jovens da sociedade espanhola".
Trata-se de um teste à capacidade das instituições, mas também à ajuda que, frisa José Miguel Morales, tardou em chegar em necessidades básicas como a água e a comida.
"Já encontrámos várias pessoas desmaiadas nas ruas por fome ou por sede", descreve.
Para lá da falta de bens de primeira necessidade, há toda a parte anímica e psicológica que pesa muito. "São milhares de jovens adultos que se sentiram enganados, manipulados, com falsas expectativas de documentos e que depois acabaram a deambular pelas ruas sem qualquer tipo de apoio", afirma em declarações à RTP Antena 1. Os que ficaram, sobretudo menores e cidadãos da África Subsariana, "muitos estão desesperados", com medo e "escondidos em zonas de florestas que rodeiam a cidade ou em alguns bairros de Ceuta".