Milhares de soldados da Coreia do Sul fazem demonstração de força

Milhares de soldados da Coreia do Sul fazem demonstração de força

Os dias de tensão na Península Coreana conheceram esta segunda-feira um novo capítulo com a realização de manobras do Exército de Seul. Milhares de soldados sul-coreanos estiveram envolvidos em exercícios na região de Hwacheon. O Governo da Coreia do Sul está a redobrar esforços para persuadir o Mundo da responsabilidade de Pyongyang no naufrágio de um dos seus navios, ao que o regime responde com a ameaça de "guerra total".

RTP /
Na sequência do naufrágio do navio "Cheonan", em Março, o Governo da Coreia do Sul decretou cinco dias de luto Song Kyeong-Seok, EPA

Depois do exercício naval realizado a 27 de Maio pela Armada, as estruturas militares de Seul organizaram agora um conjunto de manobras em larga escala na região de Hwacheon, perto da linha de fronteira com a Coreia do Norte. Milhares de operacionais do Exército, apoiados por meia centena de tanques, veículos blindados e helicópteros de combate, simularam a resposta a uma ofensiva terrestre de Pyongyang. Ao flectir, uma vez mais, os músculos das suas Forças Armadas, as autoridades sul-coreanas respondem à letra ao subir de tom da retórica do regime de Kim Jong-il, que, durante o fim-de-semana, agitou a ameaça de uma "guerra total".

Na origem da tensão está o naufrágio, em Março, da corveta sul-coreana Cheonan. Um inquérito internacional concluiu que o vaso de guerra da Armada de Seul, com 1.200 toneladas, terá sido torpedeado por um submarino norte-coreano. Quarenta e seis marinheiros morreram naquele que é já encarado como um dos mais graves incidentes militares desde o armistício de 1953.

Conhecidas as conclusões do inquérito, o Governo da Coreia do Sul garantiu que obrigaria o regime do Norte a "pagar o preço" do alegado ataque ao navio, decretando a suspensão das trocas comerciais na Península. Do Norte emanou uma sequência de avisos para as consequências bélicas de mais sanções diplomáticas ou económicas. Pyongyang negou, também, possuir o modelo de submarino referido pelos relatores.

Seul pede condenação internacional

No plano diplomático, a Coreia do Sul procura agora obter uma condenação formal na letra de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Contudo, esse é um objectivo de difícil prossecução. Isto porque a China, o maior aliado do regime estalinista, continua a colocar a tónica na necessidade de proteger a estabilidade regional. Em visita a Seul, onde participou numa cimeira com o homólogo japonês Yukio Hatoyama e o Presidente sul-coreano Lee Myung-Bak, o primeiro-ministro chinês considerava ontem "urgente" evitar uma confrontação.

"A tarefa urgente, agora, é aliviar o impacto do incidente do Cheonan, alterar uma situação tensa e evitar confrontos. A China comunicará activamente com as partes envolvidas e contribuirá para ajudar a promover a paz e a estabilidade na região, o que corresponde ao melhor dos nossos interesses comuns a longo prazo", sintetizou Wen Jiabao.

O Presidente sul-coreano aproveitou, por sua vez, a cimeira de Seul para sublinhar que espera uma "sábia cooperação" dos países vizinhos na resposta aos acontecimentos de Março. Em simultâneo, o primeiro-ministro japonês assegurou que o trio de interlocutores foi unânime no diagnóstico de "um assunto grave que implica a paz e a estabilidade no nordeste da Ásia".

Campanha na Internet

A Coreia do Sul conta, à partida, com o total apoio diplomático dos Estados Unidos. Na semana passada, durante uma deslocação à capital sul-coreana, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, defendia uma resposta internacional ao naufrágio do Cheonan. Em Washington, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos manifestou-se preocupado com a possibilidade de o regime dar "seguimento" ao incidente de Março. Em declarações à cadeia televisiva Fox News, o almirante Michael Mullen afirmava ontem que Kim Jong-il "nunca se ocupa de apenas uma coisa".

A par das manobras militares e diplomáticas, que passam pela partilha de dados sobre o alegado ataque com peritos russos em armamento naval, Seul prepara-se para desencadear uma campanha de propaganda contra Pyongyang na Internet. Para tal, convocou um grupo de influentes personalidades sul-coreanas no universo dos blogues e do Twitter para uma reunião especial - sete dezenas de utilizadores do Twitter, autores de blogues e estudantes universitários foram convidados a observar em primeira mão os destroços do vaso de guerra.

O embaixador russo na Coreia do Sul, Konstantin Vnukov, afirmou que a equipa de peritos enviada por Moscovo vai tentar "perceber o que aconteceu, quem o fez e quem deve assumir a responsabilidade". Uma chancela da Rússia aos resultados do inquérito internacional daria a Seul um trunfo de peso nos esforços para conseguir a aprovação de sanções da ONU contra o regime de Kim Jong-il.

PUB