Milhares de soldados da Coreia do Sul fazem demonstração de força
Os dias de tensão na Península Coreana conheceram esta segunda-feira um novo capítulo com a realização de manobras do Exército de Seul. Milhares de soldados sul-coreanos estiveram envolvidos em exercícios na região de Hwacheon. O Governo da Coreia do Sul está a redobrar esforços para persuadir o Mundo da responsabilidade de Pyongyang no naufrágio de um dos seus navios, ao que o regime responde com a ameaça de "guerra total".
Na origem da tensão está o naufrágio, em Março, da corveta sul-coreana Cheonan. Um inquérito internacional concluiu que o vaso de guerra da Armada de Seul, com 1.200 toneladas, terá sido torpedeado por um submarino norte-coreano. Quarenta e seis marinheiros morreram naquele que é já encarado como um dos mais graves incidentes militares desde o armistício de 1953.
Conhecidas as conclusões do inquérito, o Governo da Coreia do Sul garantiu que obrigaria o regime do Norte a "pagar o preço" do alegado ataque ao navio, decretando a suspensão das trocas comerciais na Península. Do Norte emanou uma sequência de avisos para as consequências bélicas de mais sanções diplomáticas ou económicas. Pyongyang negou, também, possuir o modelo de submarino referido pelos relatores.
Seul pede condenação internacional
No plano diplomático, a Coreia do Sul procura agora obter uma condenação formal na letra de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Contudo, esse é um objectivo de difícil prossecução. Isto porque a China, o maior aliado do regime estalinista, continua a colocar a tónica na necessidade de proteger a estabilidade regional. Em visita a Seul, onde participou numa cimeira com o homólogo japonês Yukio Hatoyama e o Presidente sul-coreano Lee Myung-Bak, o primeiro-ministro chinês considerava ontem "urgente" evitar uma confrontação.
"A tarefa urgente, agora, é aliviar o impacto do incidente do Cheonan, alterar uma situação tensa e evitar confrontos. A China comunicará activamente com as partes envolvidas e contribuirá para ajudar a promover a paz e a estabilidade na região, o que corresponde ao melhor dos nossos interesses comuns a longo prazo", sintetizou Wen Jiabao.
O Presidente sul-coreano aproveitou, por sua vez, a cimeira de Seul para sublinhar que espera uma "sábia cooperação" dos países vizinhos na resposta aos acontecimentos de Março. Em simultâneo, o primeiro-ministro japonês assegurou que o trio de interlocutores foi unânime no diagnóstico de "um assunto grave que implica a paz e a estabilidade no nordeste da Ásia".
Campanha na Internet
A Coreia do Sul conta, à partida, com o total apoio diplomático dos Estados Unidos. Na semana passada, durante uma deslocação à capital sul-coreana, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, defendia uma resposta internacional ao naufrágio do Cheonan. Em Washington, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos manifestou-se preocupado com a possibilidade de o regime dar "seguimento" ao incidente de Março. Em declarações à cadeia televisiva Fox News, o almirante Michael Mullen afirmava ontem que Kim Jong-il "nunca se ocupa de apenas uma coisa".
A par das manobras militares e diplomáticas, que passam pela partilha de dados sobre o alegado ataque com peritos russos em armamento naval, Seul prepara-se para desencadear uma campanha de propaganda contra Pyongyang na Internet. Para tal, convocou um grupo de influentes personalidades sul-coreanas no universo dos blogues e do Twitter para uma reunião especial - sete dezenas de utilizadores do Twitter, autores de blogues e estudantes universitários foram convidados a observar em primeira mão os destroços do vaso de guerra.
O embaixador russo na Coreia do Sul, Konstantin Vnukov, afirmou que a equipa de peritos enviada por Moscovo vai tentar "perceber o que aconteceu, quem o fez e quem deve assumir a responsabilidade". Uma chancela da Rússia aos resultados do inquérito internacional daria a Seul um trunfo de peso nos esforços para conseguir a aprovação de sanções da ONU contra o regime de Kim Jong-il.