Militar senegalês morre durante missão da ONU na República Centro-Africana

O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, anunciou a morte, num acidente, de um soldado senegalês que integrava a missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (RCA), que também inclui militares portugueses.

Lusa /

Numa mensagem publicada nas redes sociais na sexta-feira, Faye disse que o acidente deixou também feridos vários outros soldados da Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no país (Minusca).

"É com profunda tristeza que tomei conhecimento da morte de um militar senegalês do 4.º Destacamento de Intervenção Rápida da Minusca, bem como dos ferimentos sofridos por vários dos seus companheiros, em consequência de um acidente durante uma missão de patrulha", declarou o Presidente.

Faye transmitiu aos militares senegaleses destacados na RCA "a solidariedade e a gratidão da Nação", destacando a sua "coragem, profissionalismo e sentido de dever", bem como o seu compromisso "com a estabilidade, a paz e a dignidade humana, onde quer que a honra da República o exija".

Fundada em 2014 para apoiar os esforços de estabilização na RCA, a Minusca contribuiu para a assinatura do Acordo de Paz de 2019 com os grupos armados do país e, desde então, tem apoiado mecanismos de paz locais e operações de desmobilização e desarmamento que levaram mais de 6.300 combatentes a depor as armas.

A missão das Nações Unidas participou também na organização de várias eleições, incluindo as históricas eleições de 28 de dezembro, que contaram com quatro votações simultâneas, incluindo eleições municipais, as primeiras deste tipo em 37 anos.

Em outubro, a Minusca mantinha cerca de 17.420 militares e polícias destacados para apoiar a paz e a estabilidade na RCA, um país atingido por anos de conflito armado e crise humanitária.

Portugal, um dos países que integra a Minusca, tinha na altura 220 operacionais na 17.ª Força Nacional Destacada para o país, segundo o Ministério da Defesa Nacional.

O Presidente da RCA, Faustin Archange Touadéra, foi anunciado vencedor das eleições de 28 de dezembro com 76,15% dos votos, de acordo com os resultados provisórios, divulgado em 06 de janeiro.

Mas o principal opositor, Anicet George Dologuélé, que ficou em segundo lugar, com 14,66% dos votos, afirmou que se registou uma "fraude maciça" nas eleições que deram um terceiro mandato ao atual Presidente.

Os resultados finais das eleições são esperados para 20 de janeiro. A principal coligação da oposição boicotou a votação depois de um referendo ter permitido a remoção dos limites do mandato presidencial.

Reeleito pela primeira vez em 2016 e depois em 2020, numa votação já marcada por acusações de fraude, Touadéra é criticado pela oposição por ter feito aprovar em 2023 uma nova Constituição que lhe permite manter-se no poder.

A RCA é um dos países mais pobres do mundo, apesar de ser rico em diamantes, urânio e ouro.

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