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Ministro da Defesa de Taiwan adverte que ameaça da China é urgente e real

Ministro da Defesa de Taiwan adverte que ameaça da China é urgente e real

O ministro da Defesa de Taiwan alertou hoje que a repetição dos exercícios militares chineses em torno da ilha corre o risco de anestesiar a população, mas sublinhou que a ameaça é urgente e real.

Lusa /
Ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, reiterou a prontidão das forças armadas para responder de imediato a uma ofensiva repentina de Pequim | Carlos Garcia Rawlins - Reuters

Em declarações divulgadas pela agência de notícias taiwanesa CNA, Wellington Koo Li-hsiung afirmou que a China realiza frequentemente "patrulhas de aplicação da lei" junto às ilhas periféricas de Taiwan e nos arredores da linha média do Estreito, com a intenção de "criar a falsa aparência" de que o Estreito de Taiwan faz parte das águas territoriais chinesas.

As forças de Pequim também recorrem a ameaças no domínio da cibersegurança, através de "ciberataques e intrusões" de piratas informáticos, combinando instrumentos políticos, económicos, militares e psicológicos para levar a cabo uma "guerra cognitiva" contra Taiwan, referiu o ministro.

"Quando estas ações se repetem constantemente, preocupa-nos que possam adormecer as defesas psicológicas da população; na verdade, esta ameaça inimiga é urgente e existe mesmo", afirmou Wellington Koo.

De acordo com estatísticas fornecidas por Koo, as principais aeronaves e as de apoio do Exército chinês cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan e entraram na autoproclamada Zona de Identificação de Defesa Aérea taiwanesa em 3.764 ocasiões em 2025, contra 3.066 no ano anterior, o que representa um aumento de cerca de 23%.

Navios de guerra de vários tipos entraram também na mesma zona em 2.640 ocasiões no ano passado, face a 2.475 em 2024, um aumento de aproximadamente 7%.

O ministro da Defesa de Taiwan afirmou que a capacidade de produção associada às compras de armamento aos Estados Unidos tem vindo a "recuperar gradualmente" e sublinhou que Washington concedeu a Taipé o mesmo tratamento que aos membros da NATO Plus, o que permitirá "acelerar os trâmites administrativos e encurtar os prazos de notificação ao Congresso".

A NATO Plus agrupa os principais aliados dos Estados Unidos fora da Aliança Atlântica, incluindo Japão, Austrália, Coreia do Sul, Israel e Nova Zelândia.

Se o orçamento geral do Governo taiwanês for aprovado sem contratempos, adiantou Koo, os tanques de combate M1A2T poderão ser entregues na totalidade ainda este ano, enquanto os sistemas HIMARS, os mísseis Harpoon, as munições explosivas Switchblade 300 ou os drones Altius 600 e MQ-9B poderão ser recebidos em lotes ao longo do presente exercício.

As declarações foram divulgadas apenas dois dias depois de os presidentes dos Estados Unidos e da China terem mantido uma conversa telefónica, na qual Xi Jinping advertiu Donald Trump para lidar com "máxima prudência" a venda de armas à ilha autogovernada.

Taipé anunciou no final de 2025 um orçamento especial de Defesa equivalente a 1,25 biliões de dólares taiwaneses (cerca de 33,4 mil milhões de euros) para o período 2026-2033, que serviria, em grande parte, para financiar a aquisição de material bélico proveniente dos Estados Unidos.

O orçamento permanece bloqueado até agora pelos dois principais partidos da oposição, o Kuomintang e o Partido Popular de Taiwan, que detêm uma estreita maioria de assentos no parlamento.

 

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