Ministro das Finanças alemão acredita que Zona Euro consegue suportar saída da Grécia

O líder dos socialistas gregos, Evangelos Venizelos, reúniu-se hoje com o líder dos conservadores Antonis Samaras, num derradeiro esforço para conseguir quebrar o impasse deixado pelas eleições. As diligências do Pasok, que ficou em terceiro lugar nas urnas, representam a ultima oportunidade para um governo de unidade na Grécia, depois de terem fracassado as tentativas do Nova Democracia e do partido Syriza, da Esquerda radical, para conseguir uma coligação. No final da reunião, nenhum dos dois líderes fez declarações à imprensa.

RTP /
Wolfgang Schaüble diz que a Zona Euro consegue suportar a saída da Grécia Wolfgang Kumm, EPA

Tanto Evangelos Venizelos, do Pasok, como Antonis Samaras, do Nova Democracia, sabem que muito depende de um entendimento entre os dois partidos pois falhar significará, quase de certeza, que o país terá de ir novamente a votos.

Na ausência de um acordo caberá ao Presidente da República chamar os partidos para tentar conseguir um governo de unidade, e se não for possível, convocar novas eleições.

As esperanças de uma solução governamental aumentaram ligeiramente ontem, depois de Venizelos ter chegado a acordo com o líder da esquerda democrática, Fotis Kouvelis.

Kouvelis concordou em participar num governo com o Pasok, desde que este tivesse por missão tentar aliviar as medidas de austeridade na Grécia e renegociar partes do memorando do empréstimo, sendo que a prioridade seria sempre a de manter a Grécia No Euro.

Se o líder do Pasok conseguir convencer o líder do Nova Democracia a aceitar este acordo, os três partidos teriam entre si uma maioria suficiente para formar governo e assim evitar um novo ato eleitoral.
Reunião decisiva para o futuro da Grécia
Dos resultados deste encontro pode depender a eventual bancarrota da Grécia e a permanência do país no Euro.

A Comissão Europeia, a Alemanha e outros países europeus já fizeram saber que suspenderão as tranches do resgate de 130 mil milhões se a Grécia não conseguir um governo estável que se comprometa com a austeridade e as reformas económicas previstas no acordo com a troika.
Syriza ganharia eleições se fossem hoje
Ora tudo indica que a realização de um novo ato eleitoral não iria tornar mais fácil esses objetivos. Uma sondagem ontem divulgada indica que, se as eleições fossem hoje, o Syriza, que defende o fim do acordo com a troika, seria o vencedor .

Segundo a sondagem, o partido da esquerda radical passaria dos16,8 por cento que teve nas eleições de domingo para 27,7 por cento o que, somado ao bónus de 50 deputados que a lei prevê para o partido mais votado, garantiria ao Syriza 128 assentos no parlamento de 300 lugares.

No entanto, continuaria a não existir uma maioria governativa, pelo que o impasse politico se poderia eternizar.

Os partidos de Venizelos e Samaras faziam parte da última coligação grega, mas foram fortemente penalizados pelos eleitores gregos, que favoreceram as forças políticas que se opõe à austeridade.
Alemanha renova avisos a Atenas
A hipótese de a Grécia renegar os compromissos com a troika tem levado a uma sucessão de avisos por parte dos dirigentes europeus, e em particular os alemães, que ameaçam suspender a entrega do resgate se o país se desviar do que ficou acordado.

Esta sexta-feira foi a vez do ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, condicionar a entrega de novas parcelas do pacote de resgate ao respeito de Atenas pelas suas obrigações .

“Contamos cumprir as nossas promessas de ajuda. Mas isso significa que a Grécia deve pôr em prática as reformas que combinámos”, disse Westerwelle falando no parlamento de Berlim.
"Solidariedade não é uma rua de sentido único"
“O futuro da Grécia na Zona Euro está nas mãos dos gregos. Queremos ajudar e ajudaremos a Grécia , mas a Grécia tem de estar pronta para aceitar essas ajuda. Se a Grécia se desviar do caminho de reformas que ficou acordado, o pagamento de futuras tranches da ajuda não será possível. A solidariedade não é uma rua de sentido único”, disse .

Para não deixar quaisquer dúvidas aos os políticos de Atenas, também o ministro das Finanças da Alemanha voltou hoje a dizer que a Zona Euro seria capaz de lidar com uma saída da Grécia.

“A noção de que “a Zona Euro” não será capaz de reagir , rapidamente , a algo imprevisto é errada” disse Wolfgang Schaüble, numa entrevista a um jornal alemão citada pela agência Bloomberg.

O responsável pelas Finanças do governo de Angela Merkel diz que “se fez tudo o que era possível” para salvar a Grécia da bancarrota, mas avisa que “ o país tem de compreender que é necessário respeitar os seus compromissos.

“É perigoso fazer crer aos cidadãos que há outro caminho, mais fácil, para sanear as suas finanças e evitar a austeridade, o que é um disparate”, avisou o ministro alemão.
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