Ministro do Comércio brasileiro considera haver condições para chegar a acordo com EUA

Ministro do Comércio brasileiro considera haver condições para chegar a acordo com EUA

O ministro do Comércio brasileiro, Márcio Elias Rosa, mostrou-se otimista quanto a um acordo comercial entre Brasília e Washington, no final de uma reunião à margem do G20.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Wikipedia

"Estamos numa nova fase, em negociações, e seremos capazes de chegar a um acordo", afirmou na quarta-feira, após conversações com o representante norte-americano para o Comércio, Jamieson Greer, na cidade de Milwaukee (Wisconsin, norte dos Estados Unidos).

Os ministros brasileiros das Relações Exteriores e do Comércio, Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, reuniram-se com Jamieson Greer à margem da reunião dos ministros do Comércio do G20.

"Pareceu-me que havia um interesse genuíno por parte do senhor Greer em construir um consenso", afirmou Rosa.

No entanto, sustentou que o Brasil procurava uma "redução total dos direitos aduaneiros", acrescentando que as taxas impostas por Donald Trump são injustificáveis.

Esta reunião foi também descrita como construtiva pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, que precisou num comunicado que os principais temas da agenda comercial bilateral foram abordados.

Tratou-se do primeiro encontro presencial entre representantes dos dois países desde a imposição dos direitos aduaneiros em julho.

Segundo Brasília, o Governo dos Estados Unidos vai enviar, nas próximas semanas, propostas com vista a negociações sobre "questões aduaneiras e não aduaneiras".

Em julho, a Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs duas vagas de sobretaxas sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais desleais. O Governo brasileiro rejeitou esses argumentos.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acusa os Estados Unidos de tentarem interferir nas eleições, nas quais terá como principal adversário o senador conservador Flávio Bolsonaro na primeira volta, no domingo.

Este último é o filho mais velho do ex-presidente brasileiro de extrema-direita Jair Bolsonaro (2019-2022), aliado de Donald Trump e atualmente detido por tentativa de golpe de Estado.

Lula, de 80 anos, teve em agosto uma conversa telefónica de mais de uma hora com Donald Trump.

As tensões entre Brasília e Washington perduram desde 2025, quando os Estados Unidos impuseram uma primeira sobretaxa em retaliação ao processo que resultou na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão.

Até ao momento, Donald Trump não apoiou explicitamente o filho de Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras, mas recebeu-o na Casa Branca em maio.

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