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Ministros chineses e russos visitam Coreia do Norte pela primeira vez desde a pandemia

A Coreia do Norte está a organizar celebrações para assinalar o 70.º aniversário do fim da Guerra da Coreia na quinta-feira e, pela primeira vez desde a pandemia da covid-19, estarão no país delegações russas e chinesas. O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, iniciou na terça-feira a visita a Pyongyang e a delegação chinesa convidada chega esta quarta-feira ao território.

Inês Moreira Santos - RTP /
EPA

"As celebrações que assinalam o 70.º aniversário da vitória da Grande Guerra de Libertação da Pátria serão realizadas de uma forma grandiosa que ficará para a história na capital, Pyongyang", anunciaram as autoridade norte-coreanas, de acordo com um artigo da agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.

A Grande Guerra de Libertação da Pátria é o nome dado à Guerra da Coreia, que terminou a 27 de julho de 1953 com a assinatura de um cessar-fogo, pelo regime de Pyongyang. A Coreia do Norte celebra o aniversário com um feriado chamado "Dia da Vitória", uma vez que, segundo a narrativa do regime, foi um triunfo norte-coreano por ter obrigado Estados Unidos, Coreia do Sul e outras forças aliadas a pedir um armistício.

Mas este ano, as celebrações contam com a presença de representantes de Moscovo e Pequim – as primeiras visitas de Estado à Coreia do Norte, desde que o país asiático fechou as fronteiras para conter a pandemia.

Ao isolar-se devido ao covid-19, a Coreia do Norte cortou a maioria dos laços comerciais e diplomáticos, mesmo com a Rússia e a China que eram os principais parceiros económicos e políticos até então. Não está claro ainda se, com estas visitas de Estado, Pyongyang pretende alterar as políticas relativas às fronteiras do país. Mas sabe-se que a Coreia do Norte tem enfrentado problemas como a escassez de alimentos, que foi agravada pelo encerramento das fronteiras e pelas rígidas sanções internacionais devido ao programa nuclear norte-coreano.A delegação russa chegou a Pyongyang na terça-feira à noite, tendo sido recebida por autoridades norte-coreanas, segundo a BBC.

“A convite do Ministério da Defesa da República Popular Democrática da Coreia [designação oficial da Coreia do Norte], de 25 a 27 de julho, uma delegação russa liderada pelo ministro da Defesa russo, general Serguei Shoigu, visitará a Coreia do Norte
", anunciou esta semana o Ministério, num comunicado.

A mesma nota informativa indicou que a delegação russa vai participar “nas cerimónias solenes dedicadas ao 70.º aniversário da vitória do povo coreano na Grande Guerra de Libertação da Pátria".

O Ministério russo da Defesa sublinhou que a visita de Shoigu à Coreia do Norte também servirá para fortalecer os laços militares entre Moscovo e Pyongyang. A visita de Shoigu ocorre também numa altura em que aumentaram as tensões geopolíticas entre os EUA e a Rússia por causa da guerra na Ucrânia e que os laços entre Pequim e Washington também estão desgastados por causa de Taiwan.
“Vizinhos amigáveis, ligados por montanhas e rios”

A delegação chinesa, liderada por Li Hongzhong, que faz parte do comité central de formulação de políticas do Partido Comunista Chinês, chega esta quarta-feira.

A China foi convidada a enviar uma “delegação de alto nível” para participar nas atividades comemorativas na Coreia do Norte, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa.

“Acreditamos que a visita vai ser propícia para promover o desenvolvimento sólido e estável das relações [bilaterais], contribuir para a paz e estabilidade regional e criar condições para uma solução política da questão da península [coreana]”, acrescentou.

A porta-voz lembrou que a China e a Coreia do Norte são “vizinhos amigáveis, ligados por montanhas e rios”.

Nas vésperas destas comemorações, as autoridades militares sul-coreanas referiram ter "detetado dois mísseis balísticos disparados [na madrugada de segunda para terça-feira] pela Coreia do Norte de áreas próximas a Pyongyang em direção ao mar do Leste [também conhecido como mar do Japão]”.
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