Minnesota e Illinois processam Governo Trump para impedir operações do ICE
Os estados do Minnesota e Illinois processaram o Governo federal para impedir um aumento das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), após a morte de uma mulher por um agente em Minneapolis.
O Estado do Minnesota e as Twin Cities de Minneapolis e St. Paul apresentaram hoje uma ação judicial num tribunal federal, juntamente com um pedido de injunção para suspender a ação ou limitar a operação, noticiou a agência Associated Press (AP).
O Departamento de Segurança Interna adiantou que vai enviar mais de 2.000 agentes de imigração para o Minnesota e que já realizou mais de 2.000 detenções na cidade desde o início da operação, no mês passado.
O ICE classificou a operação no Minnesota como a maior já realizada.
A ação judicial alega que a operação viola a lei federal por ser arbitrária e caprichosa, uma vez que outros estados não estão a enfrentar medidas semelhantes.
E embora a administração Trump afirme que o objetivo é combater a fraude, a ação alega que os agentes do ICE não têm experiência no combate à fraude em programas governamentais.
No Illinois, mais de 4.300 pessoas foram detidas na "Operação Midway Blitz" no ano passado. Patrulhas de agentes mascarados e armados atingiram bairros de Chicago e muitos subúrbios.
Entre outras coisas, o processo judicial apresentado hoje num tribunal federal alega que a repressão teve um efeito intimidatório, fazendo com que os residentes tivessem medo de sair de casa ou de utilizar os serviços públicos.
"Assistimos horrorizados à agressão e ao terror de agentes federais sem qualquer controlo nas nossas comunidades e bairros em Illinois, minando os direitos constitucionais e ameaçando a segurança pública", frisou o governador de Illinois, JB Pritzker, em comunicado.
Um homem foi morto na repressão no Estado do Illinois, enquanto a norte-americana Renee Nicole Good foi morta em Minneapolis na quarta-feira por um agente do ICE, durante uma operação de imigração integrada na campanha do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, naquela cidade.
A morte provocou forte comoção em Minneapolis, que foi palco de protestos de grande escala em 2020 após a morte de George Floyd durante uma intervenção policial, levando milhares de pessoas a concentrarem-se no local onde Good foi abatida, para prestar homenagem, e centenas a participarem em manifestações que se seguiram.
Desde o tiroteio de quarta-feira em Minneapolis, milhares de pessoas têm-se manifestado em várias cidades do país, na sua maioria de forma pacífica, exigindo uma investigação completa sobre as circunstâncias do tiroteio fatal.
Apesar de vários políticos democratas, principalmente o governador do Minnesota, Tim Walz, e o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, contestem esta explicação oficial do Governo Trump, com base em imagens de vídeo, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, tem reiterado a versão oficial dos acontecimentos como legítima defesa, referindo-se ao sucedido como um ato de "terrorismo doméstico".