MNE israelita afasta plano para expulsar habitantes de Gaza

MNE israelita afasta plano para expulsar habitantes de Gaza

O chefe da diplomacia israelita afirmou hoje que não há "qualquer intenção de expulsar ou deportar ninguém da Faixa de Gaza", após o ministro da Defesa ter divulgado um plano para retirar a população do território.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Dawoud Abu Alkas - Reuters

No entanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita observou que Israel não colocará problemas aos palestinianos que desejem abandonar a Faixa de Gaza.

"Se alguém desejar emigrar voluntariamente e houver um país disposto a recebê-lo, como acontece em qualquer zona de conflito em todo o mundo, não nos oporemos. Mas não forçaremos ninguém contra a sua vontade", declarou Gideon Saar, em Liubliana, durante a inauguração da primeira embaixada de Israel na Eslovénia.

Vários membros do Governo israelita têm abordado planos para retirar cerca de dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza, apresentando esta iniciativa como voluntária e alegando que a maioria da população deseja partir, mas é impedida pelo grupo islamita Hamas, que governa o território.

Há uma semana, o ministro da Defesa israelita afirmou que o país está pronto para retirar os habitantes da Faixa de Gaza assim que os Estados Unidos deem aval, acrescentando que não vê uma solução para o enclave palestiniano "sem esta migração".

Israel Katz sublinhou que o plano de migração em grande escala na Faixa de Gaza foi "apenas congelado" pelo Presidente norte-americano, após pressão do mundo árabe, mas nunca saiu de cima da mesa.

O ministro israelita considerou que a decisão chegará "quando se tornar claro que o Hamas não está a cumprir os seus compromissos", no âmbito do roteiro do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.

Pouco depois do regresso à Casa Branca, Donald Trump admitiu em fevereiro de 2025 "assumir o controlo" da Faixa de Gaza e reconstruí-la, transformando-a na nova "Riviera do Médio Oriente".

Ao mesmo tempo, defendeu o realojamento definitivo da população palestiniana nos países vizinhos, que de imediato rejeitaram a ideia, enquanto a generalidade da comunidade internacional reagia com palavras de condenação.

Após as declarações do ministro da Defesa de Israel sobre o plano migratório para a Faixa de Gaza, o colega da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, apresentou no dia seguinte uma iniciativa do seu partido de extrema-direita para retirar a população do território em sete anos.

Na apresentação desta iniciativa, a menos de dois meses das eleições legislativas em Israel, Ben-Gvir expressou também o desejo de assumir a pasta da Migração, caso o seu partido se mantenha no governo.

A deslocação forçada de uma população civil é um crime de guerra segundo o Direito Internacional.

O destino dos territórios palestinianos ocupados é um dos temas centrais das legislativas em Israel, em 27 de outubro, bem como as circunstâncias dos ataques liderados pelo Hamas há quase três anos no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.

Durante a primeira vista de um chefe da diplomacia de Telavive em 16 anos a Liubliana, a Eslovénia defendeu a elevação das relações com Israel.

A Eslovénia esteve entre os países europeus mais críticos do Governo israelita, condenando em particular a ofensiva militar na Faixa de Gaza e o aumento da violência contra a população palestiniana na Cisjordânia ocupada, e incluiu o primeiro grupo de diplomacias ocidentais que no ano passado reconheceram o Estado da Palestina.

"Após um longo período de contactos políticos menos intensos, chegou o momento de a Eslovénia e Israel elevarem a cooperação a um patamar superior", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros esloveno, em plena mudança de rumo do país motivada pelo regresso ao poder do populista ultraconservador Janez Jansa.

O conflito na Faixa de Gaza foi suspenso por um frágil cessar-fogo desde outubro do ano passado, apesar de os dois lados se acusarem mutuamente de sucessivas violações da trégua e não terem chegado a acordo sobre as etapas seguintes do processo de paz.

A proposta do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza foi aceite pelo Hamas, mas recusada pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, enquanto não ficar concluído o processo de desarmamento das milícias palestinianas e a desmilitarização do território.

O roteiro da entidade criada por Trump e que recebeu aval da ONU previa também a retirada gradual de Israel e a criação de um órgão tecnocrático palestiniano para gerir o território, a par do destacamento de uma força internacional de estabilização.

A guerra foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que causou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Desde o início do atual cessar-fogo, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizam mais de 1.300 palestinianos mortos em ataques israelitas.

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