Moçambique ativa alerta vermelho e regista 103 mortos devido ao mau tempo

Pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas, avançou hoje o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.

Lusa /

"No período que vai de 22 de dezembro a 15 de janeiro de 2026, o país registou lamentavelmente oito óbitos de compatriotas nossos, que eleva para 103 o número de óbitos de toda a época chuvosa", disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim da sessão extraordinária para avaliar a situação.

Segundo o novo balanço do executivo moçambicano, além das mais de 173 mil pessoas afetadas, as chuvas já destruíram totalmente 1.160 casas e mais de 4.000 parcialmente inundadas, face às chuvas intensas registadas em todo o país.

"A ativação do alerta vermelho em todo o território nacional tem por objetivo assegurar a coordenação centralizada da resposta imediata aos desastres, reforçar a mobilização de meios a diferentes níveis para assistência às vítimas, incluindo meios aéreos, para o estabelecimento de uma ponte aérea para a monitoria e assistência humanitária às populações isoladas", disse Impissa.

O responsável esclareceu ainda que o alerta vermelho ativado visa flexibilizar os mecanismos formais de gestão para imediata implementação de medidas ajustadas ao momento e impulsionar a retirada compulsiva de pessoas nas áreas de alto risco. 

Na região sul do país, avançou hoje o Governo, as bacias hidrográficas dos rios de Limpopo, de Umbeluzi, Incomáti e Inhanombe continuam a registar um "aumento significativo" do volume do escoamento das águas, tendo superado os níveis de alerta.

Cenário idêntico é verificado a nível da bacia de Búzi, no centro do país, estando a causar inundações e afetando a transitabilidade e campos agrícolas, com o Governo moçambicano a admitir que os meios disponíveis para lidar com os impactos das chuvas não são suficientes.

"Há meios disponíveis, no entanto, não são suficientes, ou seja, todo o esforço que podemos fazer não é suficiente para salvar toda a população tendo em conta o nível de descargas que estamos a assistir (...). O esforço que o Governo está a fazer é assegurar que não haja mortes e esse é que é o grande objetivo, que as todas as pessoas sejam poupadas", referiu Impissa, prometendo retiradas compulsivas nas zonas de risco. 

A atual época de chuvas, que começou em outubro e vai até abril, tem sido marcada por alertas, principalmente nas zonas do centro e do sul do país, com as autoridades a ativarem ações de antecipação às cheias e inundações.

O Presidente moçambicano disse hoje que o Governo espera melhorias das condições climatéricas para salvar populações sitiadas devido às chuvas, defendendo que resta ao país "gerir melhor os eventos climáticos" que o assolam para evitar mais mortes.

A chuva torrencial registada na província de Gaza, no sul de Moçambique, impediu na quinta-feira que um helicóptero fizesse o resgate de quase 70 pessoas sitiadas desde domingo em Mapai, disse à Lusa a administradora do distrito.  

Na quarta-feira, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique, estimou que pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas compulsivamente das zonas de residência, devido ao risco de inundações na província de Gaza, sul do país. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique emitiu na quinta-feira um alerta vermelho para chuvas fortes a muito fortes nas próximas horas, sobretudo nas províncias de Gaza e Maputo, consideradas as mais vulneráveis face à intensidade da precipitação prevista para as próximas horas, com risco elevado de cheias, inundações e descargas atmosféricas.

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