Moçambique com centro de controlo de contravenções para reduzir sinistralidade
Moçambique está a lançar a fase piloto na operacionalização do centro de monitoria de contravenções nas estradas, com vista a reduzir o número de acidentes, anunciaram hoje as autoridades locais.
"O Inatro [Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários] está neste momento na fase piloto de operacionalização de um centro de monitoria de contravenções", disse Claudio Zunguze, administrador do pelouro técnico da instituição, durante a apresentação de medidas tomadas contra um condutor de um transporte semicoletivo de passageiros, recentemente filmado em manobras perigosas numa das principais avenidas de Maputo.
O dirigente do Inatro explicou que o centro visa evitar que as autoridades dependam de vídeos filmados por pessoas de "boa vontade", diante de infrações nas estradas, apesar de encorajar atos de filmagem de atos irregulares, contanto que não resultem na distração do condutor.
"Não gostaríamos de ficar apenas dependentes da boa vontade de cada um dos automobilistas, mas também estamos a buscar recursos tecnológicos para nos ajudar a identificar situações que ponham em causa a segurança dos usuários da via.
Ao condutor filmado em manobras irregulares, o Inatro disse que lhe foi aplicada a medida de proibição de condução por um período de um ano, bem como aplicada uma multa, de valor não especificado, por se considerar tratar-se de uma contravenção grave.
Em 04 de dezembro, o ministro moçambicano dos Transportes e Logística, João Matlombe, avançou querer "tolerância zero" para condutores infratores para evitar acidentes nas estradas durante a quadra festiva.
Em 27 de novembro, o Presidente moçambicano avisou a polícia de que tem de tomar medidas para travar a sinistralidade rodoviária.
Na mesma ocasião, o chefe de Estado de Moçambique apontou que só de janeiro a setembro foram registados 408 acidentes de viação em todo o país, contra 459 em 2024, que provocaram 662 mortes, quando no mesmo período de 2024 foram contabilizadas 555 vítimas mortais.
O chefe de Estado referiu que estes dados mostram que a sinistralidade é "mais mortífera" do que a malária, que registou 308 mortes hospitalares em 2024.
Antes, o ministro dos Transportes e Logística disse, em 10 de novembro, que os acidentes de viação em Moçambique são mais mortíferos do que qualquer doença, pedindo maior fiscalização e observância das regras de trânsito.
"Os acidentes, hoje em dia, estão a matar mais do que qualquer doença de saúde pública que nós temos no país e isso preocupa-nos, porque achamos que podemos evitar. Portanto, estamos a ter prejuízos económicos bastantes grandes", disse na altura João Matlombe.