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Moçambique. PR admite que luta contra o terrorismo é um "grande desafio" para o país

Moçambique. PR admite que luta contra o terrorismo é um "grande desafio" para o país

O chefe do Estado moçambicano admitiu hoje que o combate ao terrorismo continua a ser um "grande desafio" para o país, apesar das forças conjuntas continuarem determinadas no terreno, garantindo o regresso das populações às zonas de origem.

Lusa /

"O terrorismo continua a ser o nosso grande desafio neste momento, mas enquanto combatemos o terrorismo, não paramos com o desenvolvimento da província de Cabo Delgado e do nosso belo Moçambique", disse o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, durante as celebrações de 03 de fevereiro, dia dos Heróis moçambicanos.

O Estado moçambicano consagrou o dia 03 de fevereiro como Dia dos Heróis em homenagem ao fundador da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Eduardo Mondlane, assassinado nesta data em 1969.

Eduardo Mondlane morreu quando uma bomba escondida num livro que tinha nas mãos explodiu, num atentado atribuído à extinta Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), entidade do regime colonial português.

Ao assinalar a data, na praça dos Heróis moçambicanos, na capital Maputo, Daniel Chapo elogiou os esforços das Forças de Defesa e Segurança (FDS), a força local e estrangeira que apoiam os esforços para acabar com os ataques extremistas na província de Cabo Delgado, com registo de incursões no Niassa, também no norte do país, referindo que esse é o caminho para o desenvolvimento.

"Entre os maiores desafios do momento, continua a constituir a nossa grande preocupação o fim do terrorismo em alguns distritos da província de Cabo Delgado. As nossas FDS, com o apoio das forças do Ruanda, na fronteira as forças da Tanzânia, e a participação ativa da força local, continuam determinadas nesse combate, permitindo o retorno das populações às suas zonas de origem e a retoma dos projetos de gás na bacia do Rovuma", disse Daniel Chapo.

O chefe de Estado e o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, visitaram em 29 de janeiro o complexo de Afungi, Cabo Delgado, para lançar a retoma oficial do projeto, quase cinco anos depois da suspensão, na sequência da decisão da petrolífera francesa, líder do consórcio Mozambique LNG, de acionar a cláusula de `força maior`, face aos ataques terroristas na região.

Para o Presidente moçambicano, a retoma deste megaprojeto de gás, avaliado em 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros), sinaliza a segurança que se vive em Cabo Delgado, que permite também o desenvolvimento de outros projetos industriais.

"Continuarmos a levar a cabo ações de reconstrução das infraestruturas destruídas, por forma a garantir o normal funcionamento das instituições públicas e privadas, incluindo a reposição de serviços básicos como energia, água, saúde, vias de acesso, entre outras infraestruturas, para criar melhores condições de vida para o povo moçambicano", prometeu o chefe do Estado.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos.

A organização ACLED estimou anteriormente que a província moçambicana de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, dos 2.310 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.146 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.432 mortos, refere no novo balanço, incluindo as três vítimas reportadas neste período de menos de duas semanas.

No relatório é sublinhado que o EIM, neste período em análise, "realizou um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia", entre "confrontos contínuos" com as forças do Ruanda, que apoiam os militares moçambicanos no combate aos grupos insurgentes na província de Cabo Delgado.

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