Moçambique precisa de 2.900 milhões de euros para recuperar estradas danificadas pelas cheias
Moçambique necessita de 2,9 mil milhões de euros para recuperar as estradas nacionais danificadas pelas cheias das últimas semanas, estimou hoje o Governo, assegurando decorrerem trabalhos para garantir a ligação entre províncias por vias alternativas.
"É de cerca de 3,5 mil milhões de dólares [2.5 mil milhões de euros] (...) o valor que estamos a procura no mercado. Nós não temos isso, estamos a procurar esse valor para repor a estrada nacional, incluindo as estradas do resto do país", avançou aos jornalistas o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, à margem das comemorações do Dia dos Heróis moçambicanos, em Maputo.
Moçambique tem, atualmente, mais de 5.200 quilómetros de estradas danificadas em todo o país, indicou hoje o governante, recordando que o valor aumentou face ao novo balanço de danos provocados pelas chuvas, quando antes estava estimada em cerca de 1,2 mil milhões de dólares.
O ministro assegurou estarem em curso trabalhos para garantir conectividade entre as províncias moçambicanas, por terra, até quarta-feira, mas mantendo a conexão por via aérea face ao galgamento de estradas que, em alguns casos, levou a cortes na principal ligação terrestre.
"Nós estamos a trabalhar 24 horas em relação à N1 (...), conseguimos abrir a via alternativa de Chibuto, já está a funcionar, na N1 continuávamos com uma corrente muito forte mais ou menos até sexta-feira. Começámos a fazer intervenções pontuais que é para ver se conseguíamos reduzir a pressão da água e todas as equipas estão a trabalhar para ver se até amanhã [quarta-feira] conseguimos fazer a conectividade", explicou João Matlombe.
João Matlombe disse ainda que as Linhas Aéreas de Moçambique vai retomar aos voos normais para capital de Gaza, Xai-Xai, e para o distrito de Vilanculos, em Inhambane, também no sul do país, após as autoridades terem aumentado o número de voos para esses destinos devido às cheias.
"Neste momento, já não se justifica manter esse nível de voos, vamos manter os voos normais, regulares um voo, mas é importante, obviamente manter a conectividade", acrescentou o governante, recordando que continua o plano de aquisição de mais voos para a companhia aérea moçambicana, na fase de reestruturação.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 153 mortos, além de 254 feridos e de 844.372 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
De acordo com os dados atualizados, estão atualmente ativos 77 centros de acomodação, com 76.251 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas desde 07 de janeiro 229 unidades sanitárias e 316 escolas, bem como cinco pontes.
O registo do INGD aponta também para 440.842 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.780 agricultores, além da morte de 408.115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.