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Moçambique quer vacinar 1,7 milhões de pessoas contra a cólera esta semana

Moçambique quer vacinar 1,7 milhões de pessoas contra a cólera esta semana

As autoridades moçambicanas pretendem vacinar esta semana, contra a cólera, mais de 1,7 milhões de pessoas em quatro províncias do país, numa altura em que crescem os números de doentes e mortes provocadas pela doença.

Lusa /
Foto: Médicos Sem Fronteiras

De acordo com informação do Ministério da Saúde, a operação de vacinação preventiva vai decorrer de 04 a 08 de fevereiro num total de cinco distritos das províncias de Niassa (Lago), Cabo Delgado (Metuge e Pemba), Zambézia (Quelimane) e Sofala (Beira).

O objetivo é "abranger 1.757.229 pessoas com idade igual ou superior a um ano", numa operação de vacinação que vai decorrer nas unidades sanitárias e nas comunidades, através de brigadas móveis.

No comunicado, aquele ministério recorda que a cólera "é uma doença grave transmitida através do consumo de água ou alimentos contaminados, podendo provocar a morte em poucas horas se não for tratada atempadamente", sendo que em Moçambique "ocorre de forma recorrente, sobretudo durante a época chuvosa", de outubro a março.

"A vacinação preventiva constitui uma das intervenções integradas no Plano Nacional de Eliminação da Cólera (2025-2030)", acrescenta.

Moçambique registou 95 novos casos de cólera e seis mortos em 24 horas, somando 55 óbitos desde o início do atual surto, em setembro, agravando-se ainda a situação em Cabo Delgado, com novos surtos, indicam dados oficiais.

Segundo o último boletim da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 30 de janeiro, do total de 3.725 casos de cólera contabilizados neste período, 1.621 foram na província de Nampula, com um acumulado de 21 mortos, 1.481 em Tete, com 28 óbitos, e 566 em Cabo Delgado, com seis mortos.

Neste balanço é referido que no dia 30 de janeiro, além de mais seis mortos e 95 casos, a taxa de letalidade nacional da doença tinha passado para 1,5%.

O epicentro do surto é a província de Tete, centro do país, com uma taxa de letalidade em 1,9%, e 87 novos doentes nas 24 horas anteriores, segundo os mesmos dados. O surto está ativo, nesta província, nos distritos de Marara, Tsangano, Moatize, Changara, Cahora Bassa e Tete, mas também em Morrumbala, distrito da província vizinha da Zambézia.

Contudo, em 24 horas, em Cabo Delgado, foram notificados cinco dos seis mortos por cólera e "declarado um novo surto nos distritos de Mecufi e Montepuez", refere o boletim, além de Pemba e Metuge.

No surto de cólera anterior, com dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.

Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou em 10 de dezembro o ministro da Saúde, Ussene Isse, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e coletiva.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera "como um problema de saúde pública" no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

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