Mundo
Morreu o ativista chinês Liu Xiaobo
Principal dissidente de Pequim, transgressor para as autoridades, herói para os opositores ao regime chinês. Liu Xiaobo, laureado com o Nobel da Paz em 2010, morreu esta quinta-feira aos 61 anos, num hospital de Shenyang, na região de Liaoning, na sequência de um cancro no fígado em fase terminal. Deixa para trás uma história de ativismo político que começou no massacre de Tiananmen, em 1989, e viria a marcar as décadas seguintes no combate contra o governo em ações de protesto e publicações. Estava detido desde 2008 por “incitamento à subversão” contra o Governo.
Liu Xiaobo nasceu em Changchun, na província de Jilin, a 28 de dezembro de 1955, e ao contrário do que pretendia não chegou a ser transferido para o estrangeiro, onde várias unidades de saúde estavam dispostas a recebê-lo. Disse em finais de junho que preferia “morrer no Ocidente”. Morreu esta quinta-feira em Shenyang, aos 61 anos, segundo informaram as autoridades locais.
Na última semana, o Nobel da Paz de 2010 chegou mesmo a receber a visita de dois médicos externos, que asseveraram a segurança de uma eventual transferência, mesmo perante um estado de saúde cada vez mais debilitado. No Ocidente, vários países pressionaram Pequim para que libertasse “por completo” o ativista.
No entanto, o estado de saúde em crescente deterioração levou à falência de vários órgãos, situação que se adensou nos dias seguintes, impossibilitando a transferência do ativista para um hospital no Ocidente, com a promessa de tratamentos inovadores que lhe poderiam ter prolongado a vida durante mais algumas semanas.
Liu é o primeiro Nobel da Paz a morrer privado de liberdade desde 1938, ano em que morreu o alemão Carl von Ossietzky, às mãos dos responsáveis nazis.
Liu Xiaobo recebeu este ano o diagnóstico de cancro no fígado em fase terminal, tendo sido transferido da prisão para o hospital universitário n.º 1 de Shenyang durante o mês de junho.
Ativista, escritor, professor universitário, crítico literário, estava detido pelas autoridades de Pequim desde 2008, meses depois dos Jogos Olímpicos de Verão. No ano seguinte, a 25 de dezembro de 2009, foi condenado a 11 anos de prisão por “incitamento à subversão do poder”.
Não foi a primeira vez que Liu experimentou a prisão. Esteve detido pela primeira vez durante mais de dois anos, no seguimento dos protestos de Tiananmen, em 1989. O momento revolucionário esmagado pelas autoridades de Pequim alterou por completo a vida pacata que poderia ter seguido, enquanto professor em estudos de Literatura.
Na altura dos primeiros protestos, Liu Xiaobo viva nos Estados Unidos e era professor convidado de várias instituições internacionais, com destaque para a Universidade de Columbia. Abandonou a vida de académico no estrangeiro para se juntar ao movimento revolucionário no final dos anos 80 e viria a ser detido em várias ocasiões.
Entre 1996 e 1999 esteve num campo de trabalhos forçados e foi durante esse período que se casou com Liu Xia, que tem sido alvo de perseguições e do escrutínio apertado das autoridades chinesas.
“Não tenho inimigos”
Liu Xiaobo nunca deixou de escrever ao longo dos vários anos de perseguição e ativismo pela democratização da China. Liderava desde 2003 a secção chinesa do PEN club (Poets, Essaysts and Novelists), um clube internacional que reúne os principais escritores de todo o mundo, e recebeu em 2004 o prémio Fondation de France, da organização Repórteres Sem Fronteiras, pela defesa da liberdade de imprensa.
Em dezembro de 2008, foi decisivo na publicação da Carta 08, documento assinado por 300 ativistas e intelectuais chineses que apelavam à modernização e abertura da China ao mundo, a adoção de uma nova Constituição, a democratização e o multipartidarismo. O documento foi publicado a 10 de dezembro de 2008, no 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Dois dias depois de este manifesto ter sido publicado na internet, Liu Xiaobo foi encontrado em casa pela polícia chinesa e imediatamente detido. Um ano mais tarde, em 2009, Liu foi condenado a 11 anos de prisão por “incitamento à subversão do poder”.
Foi na prisão que recebeu a notícia sobre a distinção do comité de Oslo, por altura da atribuição do Nobel da Paz, em 2010. Pela terceira vez, a Academia entregava o prémio Nobel da Paz a personalidades detidas, depois do alemão Carl von Ossietzku, em 1935, e da birmanesa San Suu Kyi, em 1991.
No comunicado, Oslo destacava a “luta longa e não-violenta” de Liu em defesa dos “Direitos Humanos fundamentais” na China, uma gratificação que enfureceu particularmente as autoridades de Pequim, que obviamente não permitiram que o laureado se deslocasse à Noruega.
Ausente da cerimónia de atribuição do Nobel, a 10 de dezembro de 2010, o ativista fez-se representar por uma cadeira vazia. Na declaração de aceitação do prémio, lida por Liv Ullmann, Liu Xiaobo dedicou a prémio às “vítimas do massacre de Tiananmen” e declarou que, apesar da perseguição e repetidas detenções, não guardava rancor às autoridades chinesas.
“Não tenho inimigos e não conheço o ódio. (…) O ódio pode apodrecer na inteligência e na consciência humana. Ter inimigos envenena o espírito de uma nação, incita a lutas cruas e mortais, destrói a tolerância, a humanidade da sociedade, impede o progresso de uma nação rumo à liberdade e à democracia”, pode ler-se na declaração final.
Na última semana, o Nobel da Paz de 2010 chegou mesmo a receber a visita de dois médicos externos, que asseveraram a segurança de uma eventual transferência, mesmo perante um estado de saúde cada vez mais debilitado. No Ocidente, vários países pressionaram Pequim para que libertasse “por completo” o ativista.
No entanto, o estado de saúde em crescente deterioração levou à falência de vários órgãos, situação que se adensou nos dias seguintes, impossibilitando a transferência do ativista para um hospital no Ocidente, com a promessa de tratamentos inovadores que lhe poderiam ter prolongado a vida durante mais algumas semanas.
Liu é o primeiro Nobel da Paz a morrer privado de liberdade desde 1938, ano em que morreu o alemão Carl von Ossietzky, às mãos dos responsáveis nazis.
Liu Xiaobo recebeu este ano o diagnóstico de cancro no fígado em fase terminal, tendo sido transferido da prisão para o hospital universitário n.º 1 de Shenyang durante o mês de junho.
Ativista, escritor, professor universitário, crítico literário, estava detido pelas autoridades de Pequim desde 2008, meses depois dos Jogos Olímpicos de Verão. No ano seguinte, a 25 de dezembro de 2009, foi condenado a 11 anos de prisão por “incitamento à subversão do poder”.
Não foi a primeira vez que Liu experimentou a prisão. Esteve detido pela primeira vez durante mais de dois anos, no seguimento dos protestos de Tiananmen, em 1989. O momento revolucionário esmagado pelas autoridades de Pequim alterou por completo a vida pacata que poderia ter seguido, enquanto professor em estudos de Literatura.
Na altura dos primeiros protestos, Liu Xiaobo viva nos Estados Unidos e era professor convidado de várias instituições internacionais, com destaque para a Universidade de Columbia. Abandonou a vida de académico no estrangeiro para se juntar ao movimento revolucionário no final dos anos 80 e viria a ser detido em várias ocasiões.
Entre 1996 e 1999 esteve num campo de trabalhos forçados e foi durante esse período que se casou com Liu Xia, que tem sido alvo de perseguições e do escrutínio apertado das autoridades chinesas.
“Não tenho inimigos”
Liu Xiaobo nunca deixou de escrever ao longo dos vários anos de perseguição e ativismo pela democratização da China. Liderava desde 2003 a secção chinesa do PEN club (Poets, Essaysts and Novelists), um clube internacional que reúne os principais escritores de todo o mundo, e recebeu em 2004 o prémio Fondation de France, da organização Repórteres Sem Fronteiras, pela defesa da liberdade de imprensa.
Em dezembro de 2008, foi decisivo na publicação da Carta 08, documento assinado por 300 ativistas e intelectuais chineses que apelavam à modernização e abertura da China ao mundo, a adoção de uma nova Constituição, a democratização e o multipartidarismo. O documento foi publicado a 10 de dezembro de 2008, no 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Dois dias depois de este manifesto ter sido publicado na internet, Liu Xiaobo foi encontrado em casa pela polícia chinesa e imediatamente detido. Um ano mais tarde, em 2009, Liu foi condenado a 11 anos de prisão por “incitamento à subversão do poder”.
Foi na prisão que recebeu a notícia sobre a distinção do comité de Oslo, por altura da atribuição do Nobel da Paz, em 2010. Pela terceira vez, a Academia entregava o prémio Nobel da Paz a personalidades detidas, depois do alemão Carl von Ossietzku, em 1935, e da birmanesa San Suu Kyi, em 1991.
No comunicado, Oslo destacava a “luta longa e não-violenta” de Liu em defesa dos “Direitos Humanos fundamentais” na China, uma gratificação que enfureceu particularmente as autoridades de Pequim, que obviamente não permitiram que o laureado se deslocasse à Noruega.
Ausente da cerimónia de atribuição do Nobel, a 10 de dezembro de 2010, o ativista fez-se representar por uma cadeira vazia. Na declaração de aceitação do prémio, lida por Liv Ullmann, Liu Xiaobo dedicou a prémio às “vítimas do massacre de Tiananmen” e declarou que, apesar da perseguição e repetidas detenções, não guardava rancor às autoridades chinesas.
“Não tenho inimigos e não conheço o ódio. (…) O ódio pode apodrecer na inteligência e na consciência humana. Ter inimigos envenena o espírito de uma nação, incita a lutas cruas e mortais, destrói a tolerância, a humanidade da sociedade, impede o progresso de uma nação rumo à liberdade e à democracia”, pode ler-se na declaração final.