Moscovo apela estrangeiros e diplomatas a abandonarem Kiev

Moscovo apela estrangeiros e diplomatas a abandonarem Kiev

A diplomacia russa pediu esta segunda-feira aos cidadãos estrangeiros residentes em Kiev, incluindo funcionários diplomáticos, que abandonem a capital ucraniana devido a novos bombardeamentos militares russos. Kiev instou o país a "não ceder à chantagem russa".

Graça Andrade Ramos - RTP /
Os ataques russos à Ucrânia intensificaram-se no fim de semana de 23 e 24 de maio 2026 Foto: Alina Smutko - Reuters

O anúncio surgiu após ataques aéreos russos particularmente maciços contra a Ucrânia este fim de semana, incluindo a capital, que mataram pelo menos quatro pessoas e feriram cerca de 100. A Rússia disparou pelo menos um míssil Oreshnik de última geração, pela terceira vez desde o início do conflito.

Outros "ataques serão realizados contra centros de decisão" e "empresas do complexo militar-industrial" em Kiev, alertou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado, sem especificar um prazo para estes ataques.

"Estamos a alertar os cidadãos estrangeiros, incluindo funcionários de missões diplomáticas e organizações internacionais, para a necessidade de abandonarem a cidade o mais rapidamente possível, e os residentes da capital ucraniana para não se aproximarem das infraestruturas militares e administrativas", acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, instou particularmente os Estados Unidos, na segunda-feira, a evacuar a sua embaixada em Kiev durante uma conversa telefónica com o seu homólogo, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

"Chamou a atenção" para esta declaração do seu ministério "recomendando que os Estados Unidos, bem como outros países com missões diplomáticas em Kiev, garantam a evacuação dos seus diplomatas e cidadãos da capital ucraniana", referiu o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, sobre a conversa entre Lavrov e Rubio.
Kiev denuncia "chantagem"
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, pediu aos parceiros de Kiev que "não cedam à chantagem russa" e que forneçam mais ajuda e armamento à Ucrânia.

A França, por sua vez, rejeitou o aviso russo. "Estamos habituados às ameaças de Putin. Evacuar os nossos diplomatas está fora de questão", comentou o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês quando questionado pelos jornalistas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, em comunicado,justificou os recentes ataques com a queda de um drone ucraniano que atingiu um dormitório de uma escola secundária em Starobilsk (Starobelsk em russo), na região de Luhansk, ocupada por Moscovo, no leste da Ucrânia, na noite de quinta-feira. Segundo Moscovo, o ataque destruiu um dormitório onde dormiam dezenas de adolescentes, matando 21 pessoas e ferindo mais de 40.

Este ataque "sangrento" e "deliberado" foi "a gota de água", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

O quartel-general do exército ucraniano declarou que as suas forças bombardearam vários locais militares russos nessa noite, incluindo um quartel-general de unidade localizado na área de Starobilsk.

A imprensa russa, por sua vez, publicou testemunhos de sobreviventes e familiares dos adolescentes mortos no ataque.

A Rússia já tinha solicitado ao pessoal diplomático estrangeiro que abandonasse a capital ucraniana antes do desfile de 9 de maio na Praça Vermelha de Moscovo
, ameaçando a Ucrânia com represálias caso interrompesse as celebrações da vitória sobre a Alemanha nazi.

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou então um cessar-fogo temporário de última hora entre os dois países.

c/agências
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