Moscovo e Kiev trocam drones no meio de negociações em Genebra
A Ucrânia acusou esta quarta-feira a Rússia de lançar durante a madrugada 126 aeronaves não tripuladas, enquanto Moscovo disse ter derrubado 43 drones ucranianos, antes do segundo dia das negociações mediadas pelos Estados Unidos, em Genebra. Os EUA destacam o "progresso significativo" no primeiro dia de negociações, enquanto o presidente ucraniano fala de "pressão injusta" de Trump sobre Kiev.
A força aérea, que fornece atualizações diárias sobre os ataques aéreos russos, disse que outros 23 drones não foram intercetados e atingiram 14 diferentes zonas da Ucrânia, cuja localização não foi divulgada.O relatório referiu que fragmentos de alguns dos drones neutralizados caíram em outros três locais, acrescentando ainda que o ataque não tinha terminado, e que vários drones russos ainda estavam a sobrevoar a Ucrânia.
Também esta quarta-feira, o Ministério da Defesa da Rússia disse que as defesas aéreas abateram 43 drones ucranianos de longo alcance durante a madrugada em seis regiões e sobre o mar Negro.
Na plataforma de mensagens Telegram, o comando militar russo disse que a maior parte dos drones (21) foi neutralizada sobre a região de Bryansk.
Os restantes ataques ocorreram em Belgorod, na península ucraniana anexada da Crimeia, em Kursk, Rostov e Chuváchia, enquanto um outro drone foi abatido sobre o mar Negro.
O ataque levou as autoridades de aviação russas a restringirem temporariamente as operações nos aeroportos de Cheboksary, Kazan, Kaluga, Saratov e VolgogradoNegociações retomadas em Genebra Ucranianos e russos retomam esta quarta-feira as negociações em Genebra, sob mediação dos Estados Unidos, para tentar encontrar uma solução para quatro anos de conflito.
Steve Witkoff, enviado do presidente norte-americano, elogiou o "progresso significativo" alcançado no primeiro dia das negociações.
"O sucesso do presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump em reunir os dois lados desta guerra trouxe um progresso significativo, e estamos orgulhosos de trabalhar sob a sua liderança para pôr fim à matança neste terrível conflito", acrescentou Witkoff.
"Ambos os lados concordaram em informar os seus respetivos líderes e continuar a trabalhar no sentido de um acordo", acrescentou o enviado, na rede social X.Today, at President Trump’s direction, the United States moderated a third set of trilateral discussions with Ukraine and Russia. Thank you to the Swiss Confederation for being gracious hosts for today’s meetings.
— Special Envoy Steve Witkoff (@SEPeaceMissions) February 18, 2026
President Trump’s success in bringing both sides of this war… pic.twitter.com/j3fwQheMmG
As negociações ocorreram com uma dezena de participantes ucranianos, liderados pelo ex-ministro da Defesa Rustem Umerov, e russos, encabeçados pelo conselheiro presidencial Vladimir Medinski, além de Steve Witkoff e do genro de Trump, Jared Kushner.
Rustem Umerov afirmou no Telegram que “os debates centraram-se em questões práticas e nos mecanismos para chegar a possíveis soluções”."Após a sessão plenária, o trabalho continuou em grupos de trabalho por áreas prioritárias", com reuniões dos "blocos político e militar", acrescentou o dirigente ucraniano.
O antigo titular da pasta da Defesa especificou que tinha relatado estas discussões "durante uma reunião separada com representantes dos parceiros norte-americanos e europeus".
As negociações, que estão a decorrer em Genebra, representam a terceira ronda de conversações trilaterais e ocorrem uma semana antes do quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia pelas forças de Moscovo.
Na Suíça estiveram igualmente presentes representantes da Alemanha, França, Reino Unido e Itália.
A agência de notícias France-Presse, que cita uma fonte próxima da delegação russa, escreveu que as negociações de terça-feira “foram muito tensas” e duraram seis horas, à porta fechada, num hotel da cidade suíça.
As partes estão a trabalhar com base no plano norte-americano divulgado há alguns meses, que inclui, nomeadamente, concessões territoriais da Ucrânia em troca de garantias de segurança ocidentais.No entanto, as negociações estão paralisadas devido ao destino do Donbas, o principal polo industrial do leste da Ucrânia. Moscovo exige que as forças ucranianas se retirem das zonas que ainda controlam na região de Donetsk, uma exigência que Kiev recusa.
Zelensky considera que Trump exerce pressão “injusta” sobre Kiev O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Donald Trump estava a exercer pressão indevida sobre si na tentativa de garantir uma resolução para a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Zelensky disse ainda que qualquer plano que exigisse que a Ucrânia cedesse territórios não capturados pela Rússia na região leste do Donbass seria rejeitado pelos ucranianos se submetido a referendo.
Em entrevista à Axios, Zelenskyy disse ser “injusto” que Trump insistisse publicamente para que a Ucrânia, e não a Rússia, fizesse concessões nos termos de negociação de um plano de paz.
“Espero que sejam apenas táticas e não a decisão final”, frisou o presidente ucraniano.
Zelensky agradeceu novamente a Trump pelos seus esforços de pacificação e revelou na entrevista que as conversas com os principais negociadores norte-americanos, o enviado Steve Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner, não envolveram o mesmo tipo de pressão.
"Estamos prontos para avançar rapidamente para um acordo válido para pôr fim à guerra", disse Zelensky. "A questão para os russos é: o que é que eles querem, afinal?"