Mulher que matou bebé com ácido condenada a 30 anos de prisão em França
A ex-funcionária de uma creche que matou uma bebé de 11 meses em 2022, em Lyon, com um produto de limpeza de esgotos à base de ácido, foi hoje condenada, em recurso, a 30 anos de prisão por homicídio.
A sentença, atendendo ao pedido da acusação, inclui automaticamente um período mínimo de 15 anos e a arguida, Myriam Jaouen, tem dez dias para recorrer.
O Tribunal de Justiça considerou-a "culpada de ter causado intencionalmente a morte" de Lisa.
No primeiro julgamento, o júri tinha-a condenado a 25 anos de prisão, sem período mínimo, por não haver intenção de matar e, por isso, não constituir homicídio.
Os pais de Lisa, Fabio e Sophie, e Myriam Jaouen, receberam o novo veredicto com serenidade, noticiou a agência France-Presse (AFP).
A jovem, que tinha 27 anos na altura da tragédia, admitiu, depois de várias versões diferentes, ter despejado o produto à base de ácido na boca da menina, mas afirmou que apenas pretendeu "parar o choro", e que não pretendeu matar a bebé.
Alegou ainda desconhecer o perigo do produto de limpeza, afirmação contrariada pelos investigadores, médicos e psiquiatras que testemunharam.
Nas alegações finais, o procurador, Baptiste Godreau, destacou que a mulher "matou conscientemente com uma substância tóxica letal, administrando-a diretamente na boca de uma criança de 11 meses", que morreu após quatro horas de sofrimento extremo.
"Quero pedir desculpa à família. Penso na Lisa todos os dias", disse Myriam Jaouen nas suas palavras finais, olhando fixamente para os pais da bebé.
A advogada da família pediu aos jurados que fossem mais severos do que no primeiro julgamento.
"Vinte e cinco anos de prisão teriam sido como dizer a Myriam Jaouen: `Não tinhas a intenção de matar a Lisa; a tua versão convenceu-nos`", frisou Catherine Bourgade.
A defesa da ex-funcionária da creche pediu aos jurados não só que a castigassem, mas também que "promovessem a sua reabilitação", descrevendo-a como infantil.
Mas para Sidonie Leblanc, advogada da associação L`Enfant Bleu - Enfance maltraitée (A Criança Azul - Infância Maltratada, em português), uma mulher capaz de mentir durante a agonia de um bebé a quem infligiu um sofrimento indizível não é credível quando alega que não tinha a intenção de matar.
Quando outros pais chegaram à creche em Lyon, no centro-leste de França, Myriam Jaouen tinha também inventado uma "história estruturada e fabricada", segundo a advogada.
Uma mentira que repetiu determinadamente durante 15 minutos ao médico do centro de controlo de intoxicações, cuja gravação foi reproduzida em tribunal, que lhe ligou para tentar identificar a substância em causa, de forma a orientar os médicos que ainda tentavam salvar Lisa.