Narges Mohammadi. Comité apela Irão a entregar a Prémio Nobel da Paz à sua equipa médica pessoal

Narges Mohammadi. Comité apela Irão a entregar a Prémio Nobel da Paz à sua equipa médica pessoal

As autoridades iranianas devem libertar a vencedora do Prémio Nobel da Paz 2023, Narges Mohammadi, e entregá-la à sua equipa médica pessoal, para que ela possa receber tratamento urgente após a deterioração grave e súbita do seu estado de saúde.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Narges Mohammadi Foto: Nooshin Jafari - AFP

O apelo do chefe do comité do Prémio Nobel da Paz transmitido à agência de notícias Reuters, este sábado, sublinhou que a vida da laureada continua em risco.A saúde de Mohammadi, que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2023, pela sua campanha pelos direitos humanos no Irão, "deteriorou-se seriamente" nos últimos dias, disse Joergen Watne Frydnes, citando a família e o advogado da ativista.

A primeira informação do agravamento da saúde de Mohammadi surgiu através da fundação gerida pela família, dando conta de uma "deterioração catastrófica" do seu estado de saúde após ela ter sofrido um ataque cardíaco na prisão.

Sexta-feira, a Fundação Narges Mohammadi reportou, num comunicado no seu site, que ela tinha sido "transferida de urgência [da prisão] para um hospital em Zanjan, após uma deterioração catastrófica da sua saúde, incluindo dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca".

Esta transferência foi uma "necessidade inevitável depois de os médicos da prisão terem determinado que a sua condição não poderia ser tratada no local", disse a fundação.

Numa atualização este sábado, a fundação informou que Mohammadi permanecia em estado instável, a receber oxigénio. A fundação solicitou a sua transferência para um hospital em Teerão para exames e tratamento especializado.

Mohammadi, na casa dos 50 anos, ganhou o Prémio Nobel da Paz quando estava presa pela sua campanha em defesa dos direitos das mulheres e pela abolição da pena de morte no Irão.
Oito sentenças em 25 anos de contestação

A saúde de Narges Mohammadi tem-se fragilizado recorrentemente sob detenção.

Em dezembro de 2024, a Prémio Nobel da Paz foi libertada durante três semanas por motivos médicos relacionados com "a sua condição física após a remoção de um tumor e de um enxerto ósseo", recordou em fevereiro último o seu advogado, Mostafa Nili.

Nesse mês, e antes de ser de novo condenada a mais seis anos de prisão, Narges cumpria uma semana uma greve de fome, uma das múltiplas realizadas nas diversas vezes em que foi julgada, condenada e detida pelo seu ativismo.Aquela foi a oitava sentença contra a Prémio Nobel da Paz, em 25 anos de contestação ao regime de Teerão, contra a pena de morte no país e contra o rígido código de vestuário para as mulheres.

A última década de Mohammadi foi passada atrás das grades mas nem isso a calou. 

A Prémio Nobel tam organizado periodicamente protestos no pátio da prisão e realizou greves de fome.

A agência de notícias Efe relatou no início de 2026, citando fontes que não se quiseram identificar, que a detenção de Narges Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a sua vida em grave perigo.

Num comunicado divulgado em 22 de janeiro deste ano, pela rede X, a fundação com o nome da laureada com o Prémio Nobel da Paz disse ter conhecimento de que agentes de segurança invadiram a casa da família, em Mashhad, e realizaram uma busca na residência.

No texto publicado no perfil da ativista, a fundação refere que aquele ataque se incluiu na crescente e contínua pressão exercida sobre a família de Narges Mohammadi nos últimos meses.

A ativista não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015. 
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