"Natureza autoritária". EUA denunciam presidente da Nicarágua por acabar com eleições

"Natureza autoritária". EUA denunciam presidente da Nicarágua por acabar com eleições

Os Estados Unidos reagiram esta terça-feira ao anúncio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de acabar com os atos eleitorais no país, numa tentativa de impedir a oposição de aceder ao poder. Ortega revela a sua "natureza autoritária", reagiu o secretario de estado norte-americano, Marco Rubio.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em 2024 Foto: Leonardo Fernandez Viloria - Reuters

"Não vai haver mais eleições aqui (na Nicarágua) para que tentem tomar o governo e o poder", disse o atual líder da Nicarágua, num discurso na noite de domingo durante as comemorações da Revolução Sandinista de 1979, na qual Ortega ajudou a derrubar a brutal ditadura de Anastasio Somoza. "Os dias em que os partidos apoiados pelos ianques [norte-americanos] e pelos somocistas [apoiantes de Somoza] regressavam ao poder acabaram - nunca mais", declarou Ortega, na sua primeira aparição pública em dois meses, sem fornecer detalhes sobre a forma como irá implementar a decisão.


“A declaração de Daniel Ortega de que a Nicarágua nunca realizará eleições sob a ditadura da sua família revela a sua verdadeira natureza autoritária”, acusou o secretário de Estado norte-americano num comunicado divulgado esta terça-feira.

“Daniel Ortega e Rosario Murillo [a sua mulher e copresidente do país] abandonaram até a aparência de consenso popular”
, acrescentou Marco Rubio, referindo que as eleições legislativas na Nicarágua estavam inicialmente previstas para 2027.

Os movimentos de oposição no exílio esperam que a pressão internacional abra caminho a uma transição ou à realização de eleições.

Ortega está no poder ininterruptamente desde 2007, após um mandato presidencial anterior na década de 1980. 

Daniel Ortega é um ex-guerrilheiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), um partido político socialista e movimento de esquerda da Nicarágua, responsável por liderar a revolução que acabou com mais de 40 anos de ditadura de Somoza.

O presidente sandinista implementa agora o mesmo tipo de controlo de poder. A Nicarágua vive uma grave crise política desde abril de 2018, quando Ortega respondeu aos protestos antigovernamentais com uma repressão que resultou na morte de mais de 300 pessoas.

A última eleição na Nicarágua, em 2021, foi amplamente contestada depois de Ortega ter detido opositores e líderes empresariais e criminalizado a dissidência.

Em 2025, Ortega consolidou ainda mais o seu poder através de uma série de reformas constitucionais que incluíram a nomeação da sua mulher, Rosario Murillo, como "copresidente" e o alargamento do mandato presidencial para seis anos.

Ele e Rosario Murillo controlam praticamente todos os aspetos do governo, incluindo as Forças Armadas e o sistema judicial.

O Governo de Ortega e de Murillo foi acusado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de transformar o país "num Estado autoritário" e de violar sistematicamente os direitos humanos.

c/agências
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