Nawrocki reclama à Alemanha compensações pela guerra no aniversário de Auschwitz
O Presidente da Polónia reiterou o pedido à Alemanha de compensações de guerra, nas comemorações do 81.º aniversário da libertação do campo de concentração nazi de Auschwitz, apelando também ao julgamento de culpados do Holocausto.
No seu discurso, Karol Nawrocki criticou na terça-feira o funcionamento das Nações Unidas no pós-guerra e afirmou que o mundo viveu em paz desde 1945 e a ONU "não conseguiu levar à justiça os responsáveis pelos crimes" naquele campo de concentração, sendo julgados apenas cerca de 15%.
Nawrocki insistiu na responsabilidade coletiva da Alemanha pela Segunda Guerra Mundial e afirmou que "a nação alemã apoiou a ideologia do nacional-socialismo" e que a barbárie dos campos de concentração foi "culpa do Estado alemão como um todo".
Além disso, classificou Auschwitz como o símbolo da "indiferença" de Berlim e da Europa Ocidental perante a morte de inocentes.
Por isso, o Presidente polaco renovou as suas exigências de uma compensação financeira da Alemanha, que, segundo frisou, "ainda não pagou reparações à Polónia (...) e tem de pagar e pedir desculpas".
Um relatório estatal polaco calculou há três anos o valor das compensações financeiras que a Alemanha deveria pagar entre 1,3 biliões e 1,5 biliões de euros, que inclui indemnizações pela morte de mais de cinco milhões de cidadãos e a destruição de 80% de cidade de Varsóvia, capital do país.
Berlim rejeita a exigência, porque o Governo da Polónia renunciou às indemnizações em 1953, e considera que o assunto ficou legalmente encerrado com a assinatura de um tratado em 1990.
O Presidente polaco, de ideologia conservadora e nacionalista, afirmou em várias ocasiões que, na sua opinião, não pode haver "uma relação fluida" com a Alemanha nem "uma paz verdadeira" sem que seja primeiro resolvida a questão das reparações de guerra.
O campo de Auschwitz foi libertado pelas tropas soviéticas em 27 de janeiro de 1945.