Mundo
Negociações em Nova Iorque, confrontos no Sahara
Começaram perto de Nova Iorque as conversações entre representantes da Frente Polisário e do Governo de Marrocos um dia depois de ter havido confrontos entre manifestantes sarauís e a polícia marroquina em El Aaiún, capital do Sahara Ocidental.
Nas vésperas de mais umas importantes conversações, que pretendem por fim a um conflito que se prolonga há décadas, entre a Frente Polisário, representante reconhecida internacionalmente do povo sarauí, que luta pela independência do território e representantes do Governo de Marrocos, potência ocupante, a polícia marroquina invadiu e desmantelou um acampamento da resistência sarauí a poucos quilómetros da capital do território.
Reagindo contra esse desmantelamento, manifestantes sarauís afrontaram a polícia marroquina na capital do Sahara, que usou de todos os meios ao seu alcance para os desmobilizar.
Da sua actuação resultaram, de acordo com informações do porta-voz da ONU, vários mortos e muitos feridos, entre os quais se encontravam mulheres e crianças.
O desmantelamento do acampamento da resistência saraúi e os consequentes confrontos com a população autóctone antecedeu o início de importantes negociações em Nova Iorque, sob a égide das Nações Unidas entre resistentes pró-independência e representantes da potência ocupante, Marrocos.
“O terceiro ciclo de discussões informais entre Marrocos e a Frente Polisário sobre o futuro estatuto do Sahara Ocidental começou esta manhã (segunda-feira) em Long Island”, sublinha o comunicado do porta-voz da ONU.
“Infelizmente esta operação (marroquina) e os acontecimentos que lhe seguiram afectou a atmosfera na qual as discussões se realizam. Apelamos a todas as partes envolvidas para que exerçam a maior contenção nas próximas horas e nos próximos dias”, acrescenta o mesmo comunicado.
As autoridades marroquinas reconhecem a existência de 4 mortos – entre os quais um gendarme, um polícia e um bombeiro marroquino – e 70 feridos não concretizando se os feridos são entre a resistência saraúi ou entre as forças marroquinas.
O porta-voz da ONU acrescenta que, “com profundo pesar, há um certo número de mortos e feridos. Os membros das Nações unidas no Sahara Ocidental estão a tentar obter um quadro completo dos factos”.
Uma longa luta pelo referendo sobre o futuro do território
O representante da Frente Polisário não hesitou entretanto, em qualificar as acções de Marrocos como mais uma tentativa para sabotar as negociações que decorrem em Long Island, afirmando que “é um acto condenável com consequências muito sérias. Espero que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tome uma posição em relação a este a assunto”.
Em relação aos confrontos entre activistas do seu movimento e forças de segurança da potência ocupante, o representante da Frente Polisário na ONU, Ahmed Boujari, não tem dúvidas em denunciar que as mesmas visam efectivamente sabotar o decorrer das negociações de Long Island.
“Não temos uma visão clara, mas é um acto deliberado de Marrocos que condenamos”, afirma Ahmed Boujari.
De colónia espanhola a país ocupado por Marrocos
O Sahara Ocidental foi em tempos uma colónia espanhola mas em 1975 por um acto unilateral, o Reino de Marrocos decidiu anexá-lo ao país. A Frente Polisário levantou armas em defesa do direito do povo saraúi à autodeterminação.
Apoiada a nível externo essencialmente pela Argélia, também ela saída de um processo complicado, doloroso e longo de conquista da autodeterminação, a Frente Polisário reclama a realização de um referendo no território sob a égide das Nações Unidas que permita aos saraúis escolher entre a independência, uma autonomia sob a soberania marroquina ou a pura e simples integração em Marrocos.
Marrocos é adepto da ideia de autonomia sob a soberania marroquina e recusa liminarmente qualquer ideia de independência. O certo é que, se por um lado se opõe com todos os meios à independência, por outro lado também parece não dar passos significativos e reais para a autonomia efectiva do povo saraúi embora sob a soberania de Marrocos.
As conversações que actualmente decorrem em Long Island, nos Estados Unidos discutem precisamente o futuro estatuto do território.
Reagindo contra esse desmantelamento, manifestantes sarauís afrontaram a polícia marroquina na capital do Sahara, que usou de todos os meios ao seu alcance para os desmobilizar.
Da sua actuação resultaram, de acordo com informações do porta-voz da ONU, vários mortos e muitos feridos, entre os quais se encontravam mulheres e crianças.
O desmantelamento do acampamento da resistência saraúi e os consequentes confrontos com a população autóctone antecedeu o início de importantes negociações em Nova Iorque, sob a égide das Nações Unidas entre resistentes pró-independência e representantes da potência ocupante, Marrocos.
“O terceiro ciclo de discussões informais entre Marrocos e a Frente Polisário sobre o futuro estatuto do Sahara Ocidental começou esta manhã (segunda-feira) em Long Island”, sublinha o comunicado do porta-voz da ONU.
“Infelizmente esta operação (marroquina) e os acontecimentos que lhe seguiram afectou a atmosfera na qual as discussões se realizam. Apelamos a todas as partes envolvidas para que exerçam a maior contenção nas próximas horas e nos próximos dias”, acrescenta o mesmo comunicado.
As autoridades marroquinas reconhecem a existência de 4 mortos – entre os quais um gendarme, um polícia e um bombeiro marroquino – e 70 feridos não concretizando se os feridos são entre a resistência saraúi ou entre as forças marroquinas.
O porta-voz da ONU acrescenta que, “com profundo pesar, há um certo número de mortos e feridos. Os membros das Nações unidas no Sahara Ocidental estão a tentar obter um quadro completo dos factos”.
Uma longa luta pelo referendo sobre o futuro do território
O representante da Frente Polisário não hesitou entretanto, em qualificar as acções de Marrocos como mais uma tentativa para sabotar as negociações que decorrem em Long Island, afirmando que “é um acto condenável com consequências muito sérias. Espero que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tome uma posição em relação a este a assunto”.
Em relação aos confrontos entre activistas do seu movimento e forças de segurança da potência ocupante, o representante da Frente Polisário na ONU, Ahmed Boujari, não tem dúvidas em denunciar que as mesmas visam efectivamente sabotar o decorrer das negociações de Long Island.
“Não temos uma visão clara, mas é um acto deliberado de Marrocos que condenamos”, afirma Ahmed Boujari.
De colónia espanhola a país ocupado por Marrocos
O Sahara Ocidental foi em tempos uma colónia espanhola mas em 1975 por um acto unilateral, o Reino de Marrocos decidiu anexá-lo ao país. A Frente Polisário levantou armas em defesa do direito do povo saraúi à autodeterminação.
Apoiada a nível externo essencialmente pela Argélia, também ela saída de um processo complicado, doloroso e longo de conquista da autodeterminação, a Frente Polisário reclama a realização de um referendo no território sob a égide das Nações Unidas que permita aos saraúis escolher entre a independência, uma autonomia sob a soberania marroquina ou a pura e simples integração em Marrocos.
Marrocos é adepto da ideia de autonomia sob a soberania marroquina e recusa liminarmente qualquer ideia de independência. O certo é que, se por um lado se opõe com todos os meios à independência, por outro lado também parece não dar passos significativos e reais para a autonomia efectiva do povo saraúi embora sob a soberania de Marrocos.
As conversações que actualmente decorrem em Long Island, nos Estados Unidos discutem precisamente o futuro estatuto do território.