Netanyahu acusa militares por não o terem "acordado" a 7 de outubro de 2023

Netanyahu acusa militares por não o terem "acordado" a 7 de outubro de 2023

O Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou hoje a liderança militar de ter decidido não o acordar na manhã de 07 de outubro de 2023, declarações que surgem num país extremamente polarizado a poucas semanas das eleições legislativas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Reuters

Na véspera destas declarações, a sua esposa, Sara, tinha dado a entender que um líder da oposição tinha conhecimento do plano do Hamas para realizar o ataque daquele dia em Israel.

Enquanto as falhas que permitiram ao movimento islâmico palestiniano atacar o território israelita estão no centro da campanha, Netanyahu fez novas alegações.

"Por que não me acordaram? Porque sabiam que eu, como Primeiro-ministro de Israel, teria imediatamente ordenado colocar todo o exército em alerta, mobilizar todas as cidades [na fronteira com Gaza]", afirmou o chefe do Executivo israelita numa entrevista divulgada no Instagram. "É tão óbvio que tudo isto poderia ter sido feito. Foi escondido ao público", acrescentou.

No mesmo sentido, Benjamin Netanyahu tinha criticado na segunda-feira os altos responsáveis militares por terem tomado tal decisão para evitar o "erro de cálculo" de uma escalada militar com o Hamas.

Numa entrevista, separada e transmitida na segunda-feira à noite na canal 14 próximo do governo, a esposa de Netanyahu criticou Yaïr Golan, um ex-general que lidera o partido "Os Democratas", uma formação de esquerda oposta à coligação liderada pelo seu marido.

Golan estava "já vestido e pronto" ao amanhecer de 07 de outubro de 2023, "enquanto outros não sabiam de nada, incluindo o Primeiro-Ministro", declarou a Sara Netanyahu.

Yaïr Golan tinha decidido nesse dia por sua própria iniciativa pegar na sua arma para se juntar à resposta contra o Hamas em solo israelita, pouco depois do ataque surpresa dos comandos islamistas.

Segundo os meios de comunicação, terá salvo pelo menos seis pessoas do local do festival Nova, palco de um massacre que causou a morte de pelo menos 370 pessoas.

As declarações de Sara Netanyahu suscitaram uma grande polémica na oposição. O partido de M. Golan condenou veementemente, na sua conta na rede social X, declarações "vil e mentirosas".

"A divulgação de teorias da conspiração contra o general Yaïr Golan e a difamação do seu heroísmo a 07 de outubro ultrapassa uma linha vermelha que roça a loucura", acrescentou o movimento.

O próprio general exigiu, na sua conta no X, "desculpas em 24 horas e uma indemnização para os sobreviventes do [festival] Nova".

Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar e principal opositor ao Primeiro-Ministro, também criticou no X "a teoria absurda e falsa da conspiração de traição", propagada, segundo ele, do círculo de Netanyahu para "incitar o ódio e perpetuar" o seu poder.

Estas acusações ecoam teses de conspiração recorrentes em parte da classe política.

Segundo uma sondagem realizada para o canal 13 em agosto, 40% dos israelitas e 63% dos eleitores da atual coligação consideram que uma traição interna conduziu ao massacre de 07 de outubro.

O ataque sem precedentes do grupo armado palestiniano Hamas contra Israel fez 1.221 mortos, na sua maioria civis, segundo contas da agência de notícias AFP.

Nesse dia, 251 pessoas foram feitas reféns, das quais 44 já estavam mortas.

A ofensiva lançada em retaliação por Israel na Faixa de Gaza provocou mais de 73.000 mortos, segundo o Ministério da Saúde do território palestiniano, sob autoridade do Hamas e cujos números são considerados fiáveis pela ONU.

Um cessar-fogo precário está em vigor desde outubro de 2025.

Tópicos
PUB