Netanyahu diz que "não aceitou de forma alguma" Estado palestiniano. Hamas ainda analisa plano de Trump

Netanyahu diz que "não aceitou de forma alguma" Estado palestiniano. Hamas ainda analisa plano de Trump

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, negou ter aceitado o princípio de um Estado palestiniano, depois de Donald Trump ter apresentado o seu plano de paz para a Faixa de Gaza e antes de o Hamas responder à proposta do presidente norte-americano.

Cristina Sambado - RTP /
Kevin Lamarque - Reuters

"De forma alguma, e não está escrito no acordo", disse Netanyahu num vídeo na rede social Telegram em resposta a uma pergunta sobre se tinha "aceitado um Estado palestiniano", "mas uma coisa ficou clara (durante as conversações com Trump): opor-nos-emos firmemente a um Estado palestiniano".

O plano para Gaza apresentado por Trump estipula que, em última análise, "as condições poderão finalmente ser cumpridas para abrir um caminho fiável em direção à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado palestiniano". Estamos firmemente contra um Estado palestiniano. O presidente Trump também o disse; disse que compreende a nossa posição. Declarou ainda na ONU que tal medida seria uma enorme recompensa pelo terror e um perigo para o Estado de Israel. E, claro, não concordaremos com isso”, realçou.

Benjamin Netanyahu garantiu ainda esta terça-feira que o exército israelita permaneceria "na maior parte da Faixa de Gaza".

"Recuperemos todos os nossos reféns, vivos e de boa saúde", acrescentou.

"Disseram-nos: devem aceitar as condições do Hamas (...) As Forças de Defesa de Israel (FDI) devem retirar-se, e o Hamas pode fortalecer-se, controlar a Faixa... Não, não, isso não vai acontecer", frisou no vídeo em hebraico publicado na sua conta de Telegram.

Sobre a deslocação a Nova Iorque e a Washington, o primeiro-ministro israelita considerou que, “foi uma visita histórica. Em vez de o Hamas nos isolar, invertemos o jogo e isolamos o Hamas”

“Agora, o mundo inteiro, incluindo o mundo árabe e muçulmano, está a pressionar o Hamas para aceitar as condições que estabelecemos em conjunto com o presidente Trump: libertar todos os nossos sequestrados – vivos e mortos – enquanto as FDI permanecem na maior parte do território.Hamas ainda não respondeu ao plano de TrumpUm alto funcionário do Hamas afirmou que o grupo ainda não tinha recebido o plano de 21 pontos proposto, mas um funcionário informado sobre o assunto informou posteriormente à AFP que os mediadores do Catar e do Egito se reuniram com o Hamas para fornecer o documento.

O Hamas não participou nas rondas de negociações que antecederam o plano de Trump, que pede ao grupo militante islâmico que se desarme, uma exigência que já tinha sido rejeitada. O primeiro-ministro do Catar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, e o chefe dos serviços de informação do Egito, Hassan Mahmoud Rashad, "acabaram de se reunir com os negociadores do Hamas e partilharam o plano de 21 pontos. Os negociadores do Hamas disseram que o iriam analisar de boa-fé e dar uma resposta", acrescentou a fonte, em declarações à AFP sob anonimato.

O Hamas afirmou ainda que vai discutir o plano de paz de Donald Trump para Gaza internamente e com outras fações palestinianas antes de dar uma resposta.


Já em declarações à Reuters, uma fonte próxima do Hamas afirmou que o plano era "completamente tendencioso a favor de Israel" e impunha "condições impossíveis" com o objetivo de eliminar o grupo.

"O que Trump propôs é a adoção total de todas as condições israelitas, que não concedem ao povo palestiniano ou aos residentes da Faixa de Gaza quaisquer direitos legítimos", disse à Reuters fonte da autoridade palestiniana, que pediu para não ser identificada.

Trump avisou o Hamas que, caso rejeite a proposta, Israel terá todo o apoio dos EUA para tomar as medidas que considere necessárias.

A proposta exige que o Hamas se renda e desarme eficazmente em troca do fim dos combates, da ajuda humanitária e da promessa de reconstrução em Gaza. O território foi devastado pela guerra, com o número de mortos a ser agora superior a 66 mil palestinianos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

c/agências 
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