Netflix e Disney ameaçam boicotar Geórgia devido a nova lei antiaborto

As empresas de entretenimento norte-americanas Netflix e Disney estão a ameaçar terminar filmagens no Estado da Geórgia, onde alguns dos seus projetos são produzidos. O boicote deve-se à nova lei antiaborto, que proíbe a interrupção da gravidez após seis semanas, altura em que muitas mulheres não sabem se estão grávidas.

RTP /
A Netflix e a Disney afirmam que não vão continuar a filmar na Geórgia se a nova legislação antiaborto entrar em vigor Chris Aluka Berry - Reuters

A Netflix e a Disney afirmam que não vão continuar a filmar na Geórgia se a nova legislação antiaborto entrar em vigor. A primeira promete também participar em esforços legais para impedir a nova legislação. 

Em declarações citadas pelo diário norte-americano The Washington Post, o diretor de conteúdos da Netflix, Ted Sarandos, afirmou: "Considerando que a legislação ainda não foi implementada, continuaremos a filmar lá e apoiaremos parceiros e artistas que escolherem não o fazer". 

Uma das séries mais rentáveis da plataforma, Stranger Things, é filmada precisamente neste Estado, mas tal facto não parece demover o diretor: "Se entrasse em vigor, repensaríamos o nosso investimento inteiro na Geórgia".

Por outro lado, Bob Iger, o direito executivo da Disney, disse ao Washington Times que seria "difícil" para a empresa continuar a filmar na Geórgia se a lei entrasse efetivamente em vigor. "Muitas pessoas que trabalham para nós não vão querer trabalhar aqui", acrescentou.  Decisão ambígua? 

Embora estas empresas demonstrem vontade em boicotar a Geórgia, recusam-se a comentar se adotarão as mesmas medidas no que concerne à Irlanda do Norte, onde as mulheres se debatem com restrições acrescidas aos direitos reprodutivos. 

Neste país, as mulheres não podem abortar após o momento de conceção, podendo enfrentar prisão perpétua caso o façam. 

No Irish Post, Emma Campbell, dirigente da Aliança pela Escolha, replica: "Tem de haver alguma consistência. Não devia haver uma regra para a Geórgia e outra para a Irlanda do Norte".
O silêncio de outras empresas 
O Estado da Geórgia tem atraído muitos investidores devido aos benefícios fiscais que oferece, mas poucos têm assumido a sua posição no debate, preferindo alhear-se.

Empresas como a Coca-Cola e a UPS não se têm pronunciado sobre o tema, enquanto outras preferem divulgar uma posição mais complacente para com o Governo estadual. É o caso da Home Depot. "Consideramos que é um tema muito pessoal, não nos cabe ponderar isto", disse uma porta-voz da empresa.
Leis antiaborto noutros Estados

A legislação na Geórgia segue-se à aprovação de novas leis nos Estados do Alabama, do Missouri e do Ohio, que restringiram também o direito ao aborto.

Esta recente onda de ataques contra os direitos reprodutivos das mulheres norte-americanas leva muitos a acreditar na possibilidade da revogação do caso Roe vs. Wade, que garantiu o direito ao aborto, em 1973. Isto porque que cada vez mais Estados estão a adotar este tipo de leis, mas também porque o Supremo Tribunal tem uma maioria republicana. 
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