Nigéria, Camarões e Chad bombardeiam Boko Haram

O porta-voz da Defesa da Nigéria, o major-general Chris Olukolade, afirma que "se registou a morte de um grande número de terroristas enquanto muitos outros se espalharam por toda a floresta fugindo das bases atingidas" em diversos bombardeamentos na floresta de Sambisa nas últimas horas.

Graça Andrade ramos, RTP /
Soldada camaronesa, de vigia no dia 18 de fevereiro de 2015, a partir de um posto de observação nas Montanhas de Mandara no estado de Mabass, norte dos Camarões, a partir do qual se observa a Nigéria. Bate Felix Tabi Tabe/Reuters

Os ataques aéreos terão atingido campos de treino dos islamitas, além de arsenais camuflados e veículos militares do Boko Haram.

Forças camaronesas apoiadas pela força aérea do Chad atacaram por seu lado com artilharia pesada as forças do Boko Haram na aldeia fronteiriça com a Nigéria de Gourgouroon.
 
A floresta de Sambisa, na fronteira leste da Nigéria com os Camarões, é usada como refúgio pelos militantes islamitas, devido à sua extensão e extrema densidade. Ficou conhecida sobretudo após o rapto de quase 300 alunas de Chibok, em 14 de abril de 2014. Algumas adolescentes conseguiram escapar mas a maioria desapareceu sem deixar rasto e a vigilância aérea foi incapaz de as localizar. A floresta é ainda uma excelente base para os islamitas lançarem ataques nos Camarões.

No último ano o Boko Haram, grupo islamita cujo nome significa "a educação ocidental é um pecado", conseguiu conquistar grande parte do norte da Nigéria, perante a inoperância do exército nigeriano. As comunidades locais foram mesmo forçadas a formar milícias para se defender mas não pararam os extremistas.

Só em 2014, milhares de pessoas morreram nos ataques e centenas foram raptadas, sobretudo adolescentes de ambos os sexos. Há ainda milhares de refugiados nos países vizinhos e deslocados dentro da própria Nigéria.

A ofensiva islamita dura desde 2009 e tem-se agravado de ano para ano, paralisando e drenando recursos da maior economia petrolífera da África Central. Toda a região está desestabilizada.
Ofensivas sucedem-se
O Chad e os Camarões foram igualmente alvo dos ataques transfronteiriços da guerrilha islâmica, que pretende criar na região um 'califado'.

Pelo menos 80 pessoas foram levadas de um aldeia camaronesa no dia 18 de fevereiro, afirma o exército dos Camarões.

A ameaça do Boko Haram levou vários países da África Central a unir esforços e tropas para acabar com o grupo terrorista. A força de 8.700 soldados acordada na semana passada inclui tropas da Nigeria, do Niger, do Chad, dos Camarões e do Benin, apoiadas financeiramente por outros países. A força deverá estar operacional no máximo até final do mês de março.

Desde há um mês ofensivas militares isoladas dos vários países envolvidos conseguiram deter o avanço dos islamitas e fizeram mesmo recuar a guerrilha nalguns locais.

A Defesa nigeriana afirma ter recuperado no início da semana a cidade e base de Monguno, capturadas pelos islamitas a 25 de janeiro de 2015. Cerca de 300 guerrilheiros terão morrido na ofensiva e outros capturados, tendo várias armas sido apreendidas, de acordo com fontes oficiais do exército.

"Foram capturados armas e equipamento e algumas destruídas" afirmou Olukolade. "No entanto dois soldados morreram e 10 ficaram feridos", acrescentou o porta-voz.

São números impossíveis de verificar independentemente e os militares nigerianos são conhecidos por exagerar o resultado das suas operações.
PUB