Novo Presidente do Irão estabelece como prioridade fim das sanções ocidentais

por Lusa

O novo Presidente do Irão, o reformista Masoud Pezeshkian, assegurou hoje no seu discurso de tomada de posse que a sua administração vai tentar terminar com as sanções económicas impostas pelo ocidente e justificadas pelo controverso programa nuclear.

Após ter prestado juramento no parlamento em Teerão, Pezeshkian também considerou que a normalização das relações económicas com o mundo constitui um direito inacabável do Irão.

"Não vou parar na tentativa de remover as opressivas sanções", disse. "Estou otimista face ao futuro".

No domingo, o líder supremo do Irão, `ayatollah` Ali Khamenei, designou oficialmente Pezeshkian, exortando-o a dar prioridade aos vizinhos, aos países árabes e africanos e ainda a países que "apoiaram e ajudaram" o Irão na sua política de relações externas.

Pezeshkian, com uma longa presença no parlamento como deputado, tem duas semanas para formar o seu Governo, que deverá receber um voto de confiança no parlamento.

As sanções atingiam as vitais exportações de petróleo iraniano, bloquearam as transações nas redes bancárias internacionais e fizeram disparar a inflação, atualmente perto dos 40%, para além de originarem uma queda abrupta do valor do rial, a moeda nacional, face ao dólar.

Perante o atual cenário, um dos maiores desafios do novo Presidente consiste em tentar reavivar o acordo nuclear de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano a troco do levantamento das sanções económicas internacionais, e que os Estados Unidos abandonaram unilateralmente em 2018 para reintroduzir medidas restritivas contra o Irão, que agravaram a crise económica.

"A pressão e as sanções não vão funcionar na nação iraniana", assegurou Pezeshkian.

Presentes na cerimónia estiveram as principais autoridades políticas, legislativas e judiciais da República Islâmica e representantes de mais de 70 países.

Entre os presentes encontravam-se diversos líderes do designado "Eixo da resistência", como é conhecida a aliança informal anti-Israel, e o secretário-geral adjunto do Serviço Europeu de Ação Externa, Enrique Mora, também o coordenador das negociações para retomar o acordo nuclear de 2015, firmado na altura entre a República Islâmica do Irão, o grupo P5+1 (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e, mais tarde, Alemanha), e a União Europeia (UE).

A cerimónia não contou com a presença do chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, pelo facto de as relações entre o bloco europeu e Teerão "se situarem no seu ponto mais baixo".

Pezeshkian, um cirurgião de 65 anos, toma posse num momento de elevadas tensões, tanto nacionais como internacionais, devido ao descontentamento da população pela falta de liberdades e a grave situação económica do país, o conflito na Faixa de Gaza e as más relações com o Ocidente à luz do apoio de Teerão à Rússia, país alvo de sanções por causa da guerra na Ucrânia.

No seu discurso, também manifestou inequívoco apoio à causa palestiniana, ao referir que "o Irão quer um mundo onde nenhuns sonhos de uma criança palestiniana sejam enterrados sob as ruínas da sua casa".

"Queremos um mundo onde o orgulhoso povo da Palestina esteja livre da ocupação, opressão, prisões e genocídio", disse Pezeshkian.

O Presidente iraniano possui uma capacidade de decisão limitada, em particular nas áreas da política externa e de segurança, onde o líder supremo Ali Khamenei detém vastos poderes.

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