Novo primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior toma posse sexta-feira mas sem Governo

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O novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior é fervoroso benfiquista, pai de quatro filhos, conta 59 anos de idade, e toma posse sexta-feira, preparando-se para liderar um governo que ainda não existe.

Carlos Gomes Júnior é filho de um conhecido comerciante guineense, Carlos Domingos Gomes (Cadogo Pai) e da doméstica Maria Augusta Ramalho, nascido em 1949 na ilha de Bolama, sul da Guiné-Bissau.

Do pai, Carlos Gomes Júnior herdou não só o gosto pelo comércio mas também o nome, só que com um diminutivo, Cadogo Júnior ou Cadogo Filho, nomes pelos quais é mais conhecido no país.

Cadogo Júnior fez os seus estudos em Bissau, Lisboa e no Canadá, tendo os negócios como centro das suas atenções enquanto formando. O novo primeiro-ministro guineense esteve a frente de vários projectos em sectores como o petróleo, a banca, o comércio de alimentos, os seguros, entre outros.

Até recentemente Carlos Gomes Júnior era o accionista maioritário guineense no Banco da Africa Ocidental (BAO), agora detido em grande parte pela Geocapital de Stanley Ho.

Homem de negócio, tido pelos seus principais colaboradores como "organizado e trabalhador", Carlos Gomes Júnior esteve também a frente de vários projectos de índole social, destacando-se a criação e presidência da Rotary Club de Bissau durante largos anos e a presidência da União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB), uma das mais emblemáticas agremiações desportivas do país.

Carlos Gomes Júnior nunca escondeu, alias, a sua paixão pelo futebol, lembrando sempre o facto de ter sido jogador de futebol na sua adolescência. Cadogo Júnior utiliza esse argumento de cada vez que se dirige, nas declarações públicas, os jovens: "O desporto é a melhor actividade que podem fazer".

Num país em que cerca de 85 por cento da população é considerado pobre, Carlos Gomes Júnior destaca-se pelas intervenções caritativas que faz a favor dos desfavorecidos.

"É um homem que gosta de ajudar o próximo, sem dar nas vistas", disse à Lusa um colaborador do novo chefe do governo guineense.

Os princípios dos anos 90 do século passado guindaram Carlos Gomes Júnior para a ribalta da política guineense, com as suas primeiras aparições públicas ao lado do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), formação política de que é líder desde 2002.

Carlos Gomes Júnior chegou à política pelas mãos do Presidente `Nino` Vieira de quem era "delfim" até se incompatibilizar com ele durante a guerra civil de 1998/99 que levaria à deposição do Presidente por uma Junta Militar com a qual Cadogo se solidarizou.

Com o seu "mentor político" no exílio em Portugal, Carlos Gomes Júnior passou de um simples homem de negócios que se interessava de vez em quando pela política para um verdadeiro líder político de uma das facções do PAIGC.

Em 2004, ganhou as eleições legislativas, liderando um governo que, volvidos 17 meses seria exonerado pelo Presidente `Nino` Vieira sob a alegação de "grave crise institucional".

Os analistas locais dizem que o gesto do Presidente foi uma represália ao facto de Cadogo Júnior ter dito, em campanha eleitoral para as presidenciais de 2005, que não estaria disponível para trabalhar com `Nino` Vieira que apelidou de "mercenário".

Com a eleição de `Nino` Vieira para a chefia do Estado, contra a vontade expressa de Carlos Gomes Júnior que apoiou Malam Bacai Sanha derrotado na segunda volta, as relações entre os dois homens azedaram.

Em 2006, na sequência de uma declaração pública feita por Carlos Gomes Júnior, homens armados, alegadamente a mando do Presidente, tentaram prender o líder do PAIGC na sede do partido, em Bissau.

O acto só não aconteceu porque Carlos Gomes Júnior se refugiou na sede da ONU durante largos dias, saindo de lá após negociações que contou com a comunidade internacional.

Novamente no poder, Carlos Gomes Júnior tem prometido aos guineenses que irá concluir o projecto interrompido "pela via da força" em 2004. Contudo, a sua nomeação ao cargo de primeiro-ministro tem conhecido varias peripécias desde a publicação dos resultados eleitorais em finais de Novembro.

Embora nunca tenha sido admitido pelos dois homens, a presidência cabo-verdiana divulgou um comunicado, recentemente, no qual salienta o facto de existir um relacionamento tenso entre o Presidente `Nino` Vieira e o líder do PAIGC, Carlos Gomes Júnior.

Cadogo é empossado (dia 02 de Janeiro) mas a composição do seu governo ainda é desconhecida. Fontes do PAIGC afirmam que o primeiro-ministro ira iniciar as consultas logo que seja empossado no cargo.

Pouco extrovertido, Carlos Gomes Júnior é tido por um político hábil, embora, nalgumas vezes emotivo, directo e dialogante. Mas em Bissau também é visto como um grande amigo de Portugal que tudo faz para cair no goto da comunidade internacional.

MB.

Lusa/Fim


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