Novos ataques a infraestruturas ucranianas. Zelensky acusa Moscovo de menosprezar Washington
Ataques russos em massa deixaram esta quarta-feira 600 mil pessoas sem eletricidade na Ucrânia, refletindo um "desprezo ostensivo" de Moscovo em relação aos Estados Unidos, que tinham falado num "cessar-fogo energético", afirmou Volodymyr Zelensky.
Overnight, the Russians used 39 ballistic missiles and more than 120 attack drones and loitering munitions against our energy and critical infrastructure in Kyiv, the Kyiv region, and Kharkiv. A targeted Russian ballistic missile strike specifically against energy infrastructure – the very infrastructure covered by the ceasefire announced by the American President. The strike was entirely deliberate and demonstrative in its scale – Russia has never before shown such ostentatious disrespect toward the United States. Russia does not consider the American President’s statements strong. Unfortunately, at least 600,000 people are now without power. Outages could become even more widespread. Unfortunately, there is significant damage to facilities and equipment – at 26 facilities of our power system and four facilities in the oil and gas sector. I am grateful to the repair crews, all Ukrainian energy workers, and the personnel of the State Emergency Service of Ukraine for all their efforts to address the aftermath of this Russian strike. Tragically, there have been fatalities and injuries. We ask America and EVERYONE in the world who does not turn a blind eye to reality to respond – and to respond forcefully. Russia has squandered the opportunity for de-escalation and has clearly chosen to continue its insane war of annihilation. We ask President Trump to impose STRONG sanctions on Russia, especially since the Lindsey Graham bill, which was recently passed and signed into law, authorizes and regulates such measures. The American President has all the effective and necessary tools to bring peace closer through strength, justice, and pressure on the aggressor. We ask for additional packages of Patriot missile interceptors for Ukraine. It is entirely fair for us to tell the United States, Europe, and all our partners that no country in the world should be left alone to face such a deranged and pro-war actor as Russia. I am grateful to everyone who helps Ukraine! Peace can only come through strength, and we ask America to remember this principle of Reagan’s. Glory to Ukraine!
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) October 14, 2026
"O ataque foi totalmente deliberado e de escala ostensiva; a Rússia nunca tinha demonstrado tamanho desrespeito pelos Estados Unidos. A Rússia não considera contundentes as declarações do presidente norte-americano", acrescentou.As defesas aéreas ucranianas abateram quatro dos 39 mísseis lançados pela Rússia durante a noite, informou a Força Aérea de Kiev na quarta-feira, acrescentado que um grande número de mísseis balísticos visou infraestruturas energéticas.
Já na noite de terça-feira, uma central elétrica em Kiev foi atingida por um míssil russo sem que a Ucrânia tivesse recebido qualquer alerta prévio dos seus aliados ocidentais sobre o ataque, acrescentou o Presidente Volodymyr Zelensky.
"Ataque russo com míssil balístico contra Kiev. Mais uma vez, nenhum aviso prévio dos nossos parceiros. O alvo principal era uma infraestrutura energética, mais precisamente a central térmica número 4. Infelizmente, foi atingida", lamentou.
Na noite de terça para quarta-feira, três pessoas morreram na capital, outras duas na região central de Dnipropetrovsk e um residente foi morto na região de Zaporizhzhia, no sudeste do país, segundo dados das autoridades regionais.
A Ucrânia depende de informações de inteligência militar ocidental, especialmente dos EUA, para detetar ataques russos e atingir alvos. O recente retomar das tensões entre Zelensky e o seu homólogo Donald Trump gera receio em Kiev de um enfraquecimento deste apoio crucial.
"Os nossos sistemas só detetaram estes mísseis quando já estavam praticamente a chegar a Kiev", continuou Zelensky, descrevendo a central atingida como uma "instalação energética fundamental para Kiev".
"Não só eles [os russos] destroem a nossa infraestrutura energética, como a Ucrânia nem sequer recebe alertas prévios sobre os lançamentos de mísseis balísticos", lamentou o líder ucraniano. Starlink restringiu operações na Ucrânia durante a noite
O funcionamento de alguns terminais Starlink parece ter sido restringido durante a noite, declarou esta quarta-feira um conselheiro tecnológico do presidente ucraniano, depois de Donald Trump ter apelado a uma pausa nos ataques contra as infraestruturas energéticas."Esta noite, a SpaceX impôs uma limitação de velocidade para os terminais Starlink em movimento", informou Sergiy Beskrestnov.
Segundo o conselheiro tecnológico de Zelensky, "as nossas forças de defesa não foram avisadas desta restrição, o que resultou na interrupção de várias missões. Evidentemente, esta medida não pode ser uma coincidência e está ligada à situação política atual". Moscovo confirma ataque
O Ministério russo da Defesa informou esta quarta-feira que as suas forças atingiram sete instalações de infraestruturas energéticas ucranianas e um centro de dados num ataque em grande escala durante a noite, que, segundo o organismo, visava instalações que beneficiavam as forças armadas da Ucrânia.
Segundo o Kremlin, as forças atingiram duas centrais de cogeração (calor e eletricidade) em Kiev, outra central do mesmo tipo na área metropolitana da capital ucraniana, bem como uma central termoelétrica e uma subestação de energia; foram também atingidas uma central de cogeração em Kharkiv e uma central termoelétrica que, segundo o ministério, abastecia as forças armadas ucranianas no sudeste da região de Kharkiv.
O ministério informou ainda ter atingido um centro de dados em Kiev, utilizado, para recolher informações de inteligência sobre as forças armadas da Rússia.
A Rússia anunciou, na quarta-feira, ter abatido 902 drones ucranianos durante a noite, sendo que 180 foram neutralizados perto de Moscovo.
"Durante a noite passada (...), os sistemas de defesa aérea destruíram 902 drones ucranianos" sobre cerca de vinte regiões russas e a Crimeia anexada, informou o Ministério da Defesa da Federação Russa em comunicado.
Segundo o presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, "180 drones foram destruídos quando se aproximavam da capital”.
Este número drones, divulgado por Sobyanin no Telegram, é um dos maiores já registados em ataques contra Moscovo nas últimas semanas.