Novos ataques de Israel. Milhares de palestinianos em fuga após ordem de evacuação

A cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, foi na madrugada desta quarta-feira novamente alvo de bombardeamentos israelitas, numa altura em que milhares de palestinianos fogem em busca de abrigo após uma ordem de evacuação das autoridades.

Joana Raposo Santos - RTP /
Com temperaturas próximas dos 30 graus, os deslocados fogem a pé ou em atrelados sobrecarregados. Foto: Mohammed Salem - Reuters

Nos últimos dias, os tanques israelitas entraram em vários distritos no centro de Rafah e avançaram para oeste e norte da cidade. Nos ataques noturnos desta quarta-feira morreram pelo menos 12 pessoas, segundo as autoridades de saúde locais.

Depois de ter anunciado, há mais de uma semana, que o fim da fase "intensa" da guerra estava próximo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reafirmou na terça-feira que a guerra só terminará quando os seus objetivos forem "alcançados", incluindo o da "destruição do Hamas e libertação de todos os reféns" raptados a 7 de outubro.

Trata-se de "uma longa campanha", reconheceu o chefe do Estado-Maior, Herzi Halevi.

No sul da Faixa de Gaza, milhares de famílias fogem desde segunda-feira de Rafah e Khan Younis, em busca de abrigo, água e alimentos no território devastado por quase nove meses de guerra.

Segundo a ONU, cerca de 250.000 pessoas serão afetadas pela ordem de evacuação emitida na segunda-feira. Com temperaturas próximas dos 30 graus, os deslocados fogem a pé ou em atrelados sobrecarregados.
Último hospital em funcionamento evacuado
A evacuação, que diz respeito a uma área de 117 quilómetros quadrados - um terço da Faixa de Gaza - é a maior desde o início da ofensiva, em outubro, alertou na terça-feira o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários.

O último hospital em funcionamento na zona, o Hospital Europeu de Gaza, que abrigava tanto famílias deslocadas como pacientes, foi também evacuado.

"Disseram-nos para evacuar o Hospital Europeu. Viemos para o Hospital Nasser, mas estava cheio", disse à Reuters Ali Abu Ismehan, com as duas pernas partidas após um ataque israelita. "Estou a ficar na rua, à espera que me arranjem um lugar dentro (do hospital)".Em Khan Younis, a falta de abrigos e tendas levou muitas famílias a dormirem na estrada.

A cidade de Deir Al-Balah está repleta de centenas de milhares de palestinianos forçados a fugir das suas casas noutras zonas de Gaza e os residentes queixam-se da escassez de água potável e dos preços inflacionados dos alimentos básicos.

"Não há água potável para beber. Somos obrigados a comprar água suja ou impura a um preço elevado", contou à agência Reuters, de 47 anos, pai de cinco filhos.

"A maioria dos deslocados sofre de dores abdominais e doenças devido à água, à falta de comida decente e à poluição, pois muitos vivem perto de esgotos", acrescentou.

A ofensiva lançada por Israel já matou cerca de 38.000 pessoas desde 7 de outubro, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

c/ agências
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