Mundo
Novos riscos para a saúde dos europeus num mercado de drogas em rápida evolução
O relatório europeu sobre o consumo de drogas da Agência Europeia de drogas, sediada em Lisboa, aponta um aumento do consumo de cocaína e de substâncias sintéticas. O relatório deste ano, publicado esta manhã, mostra ainda que as rotas de abastecimento e os métodos de tráfico de canábis ilícita estão a evoluir.
Os dados mostram que Portugal segue a tendência do resto da Europa e apontam pelo menos 7.600 mortes por overdose na Europa. Constata-se ainda que o tráfico de drogas deixou de ser uma área isolada do crime, financiando lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de pessoas, violência e todas as outras formas de crime organizado grave.
A canábis é a droga ilícita mais amplamente consumida na Europa, estimando-se que 24,9 milhões de adultos europeus (com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos) tenham consumido esta droga no último ano.
A EUDA estima que, em 2024, se tenham registado pelo menos 7 600 mortes por overdose na UE, na sua maioria envolvendo o consumo de várias substâncias.
Opióides para além da heroína, incluindo opióides sintéticos muito potentes, medicamentos para terapias com agonistas opioides e medicamentos para alívio da dor, são detetados numa percentagem significativa de mortes por overdose em alguns países.
A situação em Portugal
Portugal registar as mesmas tendência da Europa sobretudo com maior disponibilidade de canábis no país, a substância mais consumida a nível europeu e também de Portugal, e um aumento do consumo de cocaína como refere a Joana Teixeira, Presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências. “O Relatório Europeu sobre Drogas proporciona uma visão anual sobre o fenómeno das drogas na Europa e é seguramente uma base valiosa para orientar as políticas e as respostas dos países em relação à matéria das substâncias ilícitas.
Numa primeira fase, nós conseguimos perceber que há uma evolução com o aparecimento de novos riscos para a saúde dos europeus num mercado de drogas que tem tido aqui também uma evolução bastante rápida e com uma alteração do padrão de consumo e das principais substâncias que tem sido consumida”.
A diretora do ICAD refere que “Portugal tem sentido aqui também as tendências da Europa, nomeadamente relativamente à maior disponibilidade de cannabis no nosso país. A cocaína é a segunda droga ilícita mais frequentemente retratada. Esta tendência de aumento de consumo de cocaína, entre os utentes que nos procuram, tem sido crescente.
A canábis é a droga ilícita mais amplamente consumida na Europa, estimando-se que 24,9 milhões de adultos europeus (com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos) tenham consumido esta droga no último ano.
A EUDA estima que, em 2024, se tenham registado pelo menos 7 600 mortes por overdose na UE, na sua maioria envolvendo o consumo de várias substâncias.
Opióides para além da heroína, incluindo opióides sintéticos muito potentes, medicamentos para terapias com agonistas opioides e medicamentos para alívio da dor, são detetados numa percentagem significativa de mortes por overdose em alguns países.
A situação em Portugal
Portugal registar as mesmas tendência da Europa sobretudo com maior disponibilidade de canábis no país, a substância mais consumida a nível europeu e também de Portugal, e um aumento do consumo de cocaína como refere a Joana Teixeira, Presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências. “O Relatório Europeu sobre Drogas proporciona uma visão anual sobre o fenómeno das drogas na Europa e é seguramente uma base valiosa para orientar as políticas e as respostas dos países em relação à matéria das substâncias ilícitas.
Numa primeira fase, nós conseguimos perceber que há uma evolução com o aparecimento de novos riscos para a saúde dos europeus num mercado de drogas que tem tido aqui também uma evolução bastante rápida e com uma alteração do padrão de consumo e das principais substâncias que tem sido consumida”.
A diretora do ICAD refere que “Portugal tem sentido aqui também as tendências da Europa, nomeadamente relativamente à maior disponibilidade de cannabis no nosso país. A cocaína é a segunda droga ilícita mais frequentemente retratada. Esta tendência de aumento de consumo de cocaína, entre os utentes que nos procuram, tem sido crescente.
Também a cocaína é a principal substância responsável pelas mortes por overdose em Portugal e a cocaína, em particular, o crack, está a agravar as preocupações no nosso país. Há um consumo crescente de crack. O crack está a agravar as preocupações em Portugal, com um aumento crescente do consumo por causa das consequências negativas que tem para a saúde”.
O relatório hoje apresentado também realça o aumento do consumo de produtos sintéticos.
“Outra preocupação que se percebe neste relatório é o aumento das substâncias sintéticas, nomeadamente de opióides ou de canabinóides sintéticos, que têm riscos acrescidos para a saúde e, muitas vezes, são desconhecidos os efeitos que provocam. Portanto, isto é um risco acrescido em que muitas vezes os consumidores estão a utilizar substâncias produzidas quimicamente que não conhecem o seu efeito principal”.
Crime organizado muito eficiente
O relatório destaca ainda o crime organizado com alto grau de eficiência no tráfico de drogas e os custos para a vida dos consumidores como referiu o comissário para os assuntos internos, Macus Brunner.
“O relatório também destaca que isso é muito interessante. Acho que evidencia o custo humano do uso de drogas. Os dados mais recentes mostram pelo menos 7.600 mortes por overdose na Europa, e vemos que o tráfico de drogas já não é uma área isolada do crime. Ele financia lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de pessoas, violência e todas as outras formas de crime organizado grave. E são precisamente essas redes criminosas altamente profissionais que estão por trás do mercado", refere.
O relatório hoje apresentado também realça o aumento do consumo de produtos sintéticos.
“Outra preocupação que se percebe neste relatório é o aumento das substâncias sintéticas, nomeadamente de opióides ou de canabinóides sintéticos, que têm riscos acrescidos para a saúde e, muitas vezes, são desconhecidos os efeitos que provocam. Portanto, isto é um risco acrescido em que muitas vezes os consumidores estão a utilizar substâncias produzidas quimicamente que não conhecem o seu efeito principal”.
Crime organizado muito eficiente
O relatório destaca ainda o crime organizado com alto grau de eficiência no tráfico de drogas e os custos para a vida dos consumidores como referiu o comissário para os assuntos internos, Macus Brunner.
“O relatório também destaca que isso é muito interessante. Acho que evidencia o custo humano do uso de drogas. Os dados mais recentes mostram pelo menos 7.600 mortes por overdose na Europa, e vemos que o tráfico de drogas já não é uma área isolada do crime. Ele financia lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de pessoas, violência e todas as outras formas de crime organizado grave. E são precisamente essas redes criminosas altamente profissionais que estão por trás do mercado", refere.
"Elas usam tecnologias de ponta", acrescenta. "Usam comunicação criptografada. Usam também estruturas logísticas internacionais e possuem enormes recursos financeiros. E, ao mesmo tempo, exploram as vulnerabilidades sociais, a exclusão social, a falta de perspetivas, o estresse psicológico e outros desafios sociais que criam um ambiente no qual o uso e a dependência de drogas são, na verdade, incentivados".
Macus Brunner quer especial vigilância nos portos. É pela via marítima e nos portos mais pequenos que grande parte da droga chega à Europa
“E no que diz respeito à aplicação da lei, no final do ano passado, apresentámos (na Comissão Europeia) um plano de ação europeu contra o tráfico de drogas. O objetivo é combater as redes criminosas ao longo de toda a cadeia de abastecimento, desde os países produtores, passando pelas rotas de trânsito, até aos mercados de venda europeus”.
O comissário realça que “o foco está na segurança dos portos. Uma grande parte da cocaína chega à Europa através dos portos. Obviamente, é por isso que estamos a reforçar a Aliança Europeia dos Portos, a melhorar os controlos e também a tomar medidas específicas contra a infiltração do crime organizado nos portos. E já vemos bons resultados. Os criminosos estão migrando dos portos maiores para os menores. É por isso que agora precisamos nos concentrar também nos portos menores”.
“E estamos intensificando a cooperação com os países parceiros, especialmente na América Latina, mas também em outras regiões. O narcotráfico é, obviamente, um negócio global. Portanto, nossa resposta também precisa ser global. E precisamos fazer todo o possível para impedir que novos produtos inundem o mercado e usar toda a força da lei para combater o modelo de negócios dos traficantes ilegais” sublinhou o comissário europeu para os assuntos internos.
Macus Brunner quer especial vigilância nos portos. É pela via marítima e nos portos mais pequenos que grande parte da droga chega à Europa
“E no que diz respeito à aplicação da lei, no final do ano passado, apresentámos (na Comissão Europeia) um plano de ação europeu contra o tráfico de drogas. O objetivo é combater as redes criminosas ao longo de toda a cadeia de abastecimento, desde os países produtores, passando pelas rotas de trânsito, até aos mercados de venda europeus”.
O comissário realça que “o foco está na segurança dos portos. Uma grande parte da cocaína chega à Europa através dos portos. Obviamente, é por isso que estamos a reforçar a Aliança Europeia dos Portos, a melhorar os controlos e também a tomar medidas específicas contra a infiltração do crime organizado nos portos. E já vemos bons resultados. Os criminosos estão migrando dos portos maiores para os menores. É por isso que agora precisamos nos concentrar também nos portos menores”.
“E estamos intensificando a cooperação com os países parceiros, especialmente na América Latina, mas também em outras regiões. O narcotráfico é, obviamente, um negócio global. Portanto, nossa resposta também precisa ser global. E precisamos fazer todo o possível para impedir que novos produtos inundem o mercado e usar toda a força da lei para combater o modelo de negócios dos traficantes ilegais” sublinhou o comissário europeu para os assuntos internos.