Número de mortos em protestos contra o regime do Irão atinge 116

O número de mortos nos protestos contra o regime do Irão subiu para pelo menos 116, avançou uma organização não governamental (ONG) criada por exilados iranianos.

Lusa /
Foto: Reuters

De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, o número de detidos também aumentou para mais de 2.600.

O anterior balanço divulgado pela HDRANA apontava para pelo menos 65 vítimas mortais e cerca de 2.300 detidos desde o início dos protestos, em 28 de dezembro.

Com a internet em baixo no Irão e as linhas telefónicas cortadas, avaliar o impacto das manifestações a partir do estrangeiro tornou-se mais difícil.

O corte da Internet decidido na quinta-feira pelas autoridades iranianas, devido aos protestos contra o Governo, continuava em vigor, há mais de 48 horas, disse no sábado a ONG de monitorização da cibersegurança Netblocks.

A televisão estatal iraniana tem apenas anunciado as mortes entre as forças de segurança, enquanto garante que o regime mantém o controlo sobre a nação, sem mencionar os manifestantes mortos, descritos como "terroristas".

"Depois de vários terroristas armados terem atacado locais públicos e incendiado propriedades privadas na noite passada, não houve notícias de qualquer aglomeração ou caos em Teerão e na maioria das províncias", avançou a emissora estatal.

Mas um vídeo colocado nas redes sociais e verificado pela agência de notícias Associated Press mostrava manifestações na zona de Saadat Abad, no norte da capital, com o que pareciam ser milhares de pessoas nas ruas.

"Morte a Khamenei!", gritava um homem, numa referência ao líder supremo do Irão, o `ayatollah` Ali Khamenei.

A vaga de manifestações em quase todo o país contra a teocracia iraniana atinge hoje duas semanas.

Os protestos começaram inicialmente contra o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito a sanções económicas dos Estados Unidos e da ONU, mas têm-se vindo a intensificar e transformaram-se numa contestação política contra o regime.

No sábado, o Presidente norte-americano afirmou que o Irão quer liberdade e que os Estados Unidos "estão prontos para ajudar".

"O Irão aspira à liberdade, talvez como nunca antes. Os Estados Unidos estão prontos para ajudar!!!", escreveu Donald Trump nas redes sociais.

A mensagem de Trump foi publicada quando o movimento de protesto contra o poder ganha força no país, fazendo temer a resposta das autoridades.

O procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi Azad, avisou que qualquer pessoa que participe em protestos, como os que há vários dias contestam o regime do país, será considerada "inimiga de Deus", acusação punível com pena de morte.

A declaração do procurador-geral do Irão, transmitida pela televisão estatal, surgiu depois de, na sexta-feira, Ali Khamenei ter afirmado que o país "ia iniciar" uma repressão.

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