O discurso de Putin no Dia da Vitória. "Ocidente preparava invasão da nossa terra"

por RTP
“Vocês estão a lutar pelo nosso povo no Donbass, pela defesa do nosso país, pelo futuro da Rússia”, afirmou Putin em Moscovo Mikhail Metzel - Sputnik via EPA

No discurso que proferiu diante das forças militares em parada na Praça Vermelha, por ocasião do Dia da Vitória sobre a Alemanha nazi na II Guerra Mundial, Vladimir Putin clamou esta segunda-feira que o Ocidente “preparava uma invasão” de território russo – uma referência à aproximação da NATO às fronteiras da Rússia. Também o presidente da Ucrânia preparou uma mensagem para esta efeméride. Volodymyr Zelensky prometeu não deixar que o país vizinho se “aproprie da vitória sobre o nazismo”.

Durante o cerimonial de Moscovo, Putin insistiu na tese de que a intervenção russa na Ucrânia era necessária perante o perigo iminente de invasão. “Na nossa terra, incluindo a Crimeia”, alegou.“Vocês estão a lutar pelo nosso povo no Donbass, pela defesa do nosso país, pelo futuro da Rússia. Para que ninguém esqueça as lições da II Guerra Mundial, para que não haja espaço para os nazis”, disse o presidente russo.


Vladimir Putin referiu-se também às baixas no exército no contexto da invasão da Ucrânia. Para prometer: “A morte de todos os soldados e oficiais é dolorosa para nós. O Estado vai fazer tudo para cuidar das suas famílias”.

Numa intervenção com pouco mais de dez minutos, Putin evocou o triunfo sobre o nazismo na II Guerra Mundial para falar do contexto geopolítico atual, comparando o combate contra a Alemanha de Adolf Hitler à batalha contra os “nacionalistas nazis” na Ucrânia.
O presidente russo acusou mesmo o presidente ucraniano de estar a perpetrar “uma sangrenta reconstituição do nazismo na Ucrânia”.
“Os países da NATO não quiseram ouvir-nos”

Ainda no discurso perante a parada militar, Vladimir Putin recordou as propostas do Kremlin antes da intervenção na Ucrânia: “Em dezembro do ano passado, propusemos a conclusão de um acordo sobre garantias de segurança. A Rússia pediu ao Ocidente que se envolvesse num diálogo honesto, na procura de soluções de compromisso razoáveis, tendo em conta os interesses de cada um. Tudo foi em vão”.

Os países da NATO não nos quiseram ouvir, tinham planos completamente diferentes. (...) Preparavam uma operação no Donbass, a invasão do nosso território histórico, incluindo a Crimeia”, insistiu.

Para acrescentar que “em Kiev anunciaram a possível aquisição de armas nucleares. A NATO começou a assumir o controlo militar de territórios adjacentes ao nosso. Foi criada uma ameaça absolutamente inaceitável para nós”.
Ucrânia não deixará que Rússia se “aproprie da vitória sobre o nazismo”
Numa mensagem de vídeo publicada esta segunda-feira, Volodymyr Zelensky recordou que também a Ucrânia lutou para derrotar o nazismo. “Não deixaremos que ninguém se aproprie dessa vitória”, vincou.

“Temos orgulho dos nossos antepassados, que como outros povos, no âmbito da aliança anti-hitleriana, venceram o nazismo. Não vamos deixar que ninguém venha anexar essa vitória e se venha a apropriar dela”, sublinou o presidente ucraniano, num vídeo em que surge a caminhar com as principais ruas de Kiev em pano de fundo.
”Milhares de ucranianos lutaram contra o nazismo. (...) Expulsaram os nazis de Lugansk, expulsaram os nazis de Donetsk, libertaram Kherson, Melitopol, Ialta, Simferopol, Kerch e toda a Crimeia, liberataram Mariupol dos nazis”, prosseguiu Zelensky, referindo-se a várias cidades no leste e sul da Ucrânia que estiveram ou estão ocupadas por tropas russas.

“As cidades que mencionem inspiram-nos particularmente, dão-nos fé de que conseguiremos expulsar os ocupantes da nossa terra. Neste Dia da Vitória, continuamos a lutar por mais uma vitória. O caminho para a vitória é longo, mas não temos dúvidas de que venceremos. Vencemos [em 1945] voltaremos a vencer agora, e muito em breve a Ucrânia celebrará dois Dias da Vitória”, enfatizou.

Referindo-se a Putin, Zelensky considerou que “só um louco pode repetir o que aconteceu na II Guerra Mundial” e que “todos os que repitam os crimes que ocorreram na época estão a imitar a filosofia nazi”.
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