O filme da hospitalização de João Paulo II em Fevereiro
O Papa João Paulo II, 84 anos, quinta-feira submetido a uma traqueotomia na Policlínica Gemelli em Roma, já tinha estado internado 10 dias no mesmo estabelecimento hospitalar no início de Fevereiro, com graves problemas respiratórios.
É o seguinte o "filme" dos acontecimentos entre as duas hospitalizações:
--TERÇA-FEIRA 01 Fevereiro 2005 -- João Paulo II, obrigado a anular os seus compromissos por causa de uma gripe, é admitido de urgência na policlínica católica Gemelli de Roma, onde um apartamento lhe está reservado no décimo andar do edifício desde o atentado de 13 de Maio de 1981.
"O papa João Paulo II sofre de uma laringo-traqueíte aguda (inflamação aguda da laringe e da traqueia) e de crise de laringo- espasmos, devido a uma complicação da sua gripe", explica durante a noite o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls.
--QUARTA-FEIRA 2 FEVEREIRO- "Não há razão para alarmes", afirma Navarro-Valls depois de ter sido obrigado a desmentir várias informações dando conta de que João Paulo II dera entrada na sala de reanimação e fora submetido a uma traqueotomia.
--QUINTA-FEIRA 3 FEVEREIRO-- O porta-voz dá a entender que a hospitalização pode durar uma semana. Torna público o seguinte comunicado: "O Santo Padre passou uma noite de repouso tranquila. As condições gerais e respiratórias do Santo Padre registam uma evolução positiva. A laringo-traqueíte aguda está em fase de regressão e não houve repetição dos episódios de espasmos da laringe, que motivaram a hospitalização de urgência".
--SEXTA-FEIRA 4 FEVEREIRO-- "O estado de saúde do Santo Padre melhorou. João Paulo II alimenta-se regularmente. Os exames médicos e de laboratório confirmam a estabilização do quadro clínico", declara o porta-voz.
Um cardeal membro da Cúria afirma que o papa pode dirigir a Igreja do seu leito de hospital, mesmo que esteja incapacitado de falar.
--SÁBADO 5 FEVEREIRO- O Vaticano anuncia que, pela primeira vez no seu pontificado, João Paulo II não presidirá a 09 de Fevereiro à cerimónia das Cinzas na basílica de São Pedro e continua hospitalizado.
O porta-voz do Vaticano anuncia que João Paulo II não poderá ler a oração do Angelus, domingo, e dará apenas a sua bênção.
--DOMINGO 6 FEVEREIRO- Ao meio-dia, as cortinas são afastadas e o Papa mostra-se. Lê a sua mensagem em nove minutos, depois a oração do Angelus e tenta em seguida pronunciar a bênção. Mas a voz foge-lhe logo às primeiras palavras.
O Vaticano desmente que ele tenha sido auxiliado por uma gravação.
--SEGUNDA-FEIRA 7 FEVEREIRO- Está lançada a polémica sobre a capacidade de João Paulo II de dirigir a Igreja, se não puder voltar a falar.
O cardeal secretário de Estado Ângelo Sodano, "número dois" do Vaticano, abre uma polémica ao declarar que a decisão de uma renúncia deve ser "deixada à consciência do Papa".
--TERÇA-FEIRA 8 FEVEREIRO- Cardeais discutem uma eventual renúncia do Papa. "É de mau gosto" falar disso, observa um membro influente da Cúria romana, o cardeal Giovanni Battista Re.
--QUARTA-FEIRA 9 FEVEREIRO- O Papa celebra a quarta-feira das Cinzas, início da Quaresma, no seu quarto do hospital, falhando pela primeira vez no seu pontificado a liturgia na Basílica de São Pedro.
Cardeais declaram ter encontrado o Papa "realmente bem" e multiplicam-se as indicações de uma próxima saída do hospital. Fala- se mesmo da possibilidade de aparecer à janela do seu apartamento pontifical para a oração do Angelus no domingo seguinte.
--QUINTA-FEIRA 10 FEVEREIRO- Os seus médicos autorizam João Paulo II a regressar ao Vaticano porque a sua laringo-traqueíte aguda "está curada".
--Domingo 13 FEVEREIRO- João Paulo II aparece à janela e saúda os fiéis. Dá a bênção do Angelus mas deixa os seus colaboradores lerem as outras mensagens.
--SÁBADO 19 FEVEREIRO- João Paulo II, pela primeira vez no seu pontificado, não assiste à missa que marca tradicionalmente o fim da Quaresma no Vaticano.
--DOMINGO 20 FEVEREIRO- O Papa pronuncia integralmente a mensagem do Angelus. Pronuncia as mensagens de forma bastante clara e articulada.
TERÇA-FEIRA 22 FEVEREIRO- O Papa recebe no Vaticano o chefe do governo croata, Ivan Senader, primeira personalidade política a encontrá-lo desde que saiu do hospital.
--QUARTA 23 FEVEREIRO- O soberano pontífice da Igreja Católica, a conselho dos médicos, renuncia pela primeira vez a realizar a sua audiência semanal na praça de São Pedro. Dirige-se aos peregrinos através de uma ligação vídeo, falando com voz rouca e respirando com dificuldade.
QUINTA-FEIRA 24 FEVEREIRO- João Paulo II é hospitalizado no hospital Gemelli " depois de uma recaída quarta-feira da gripe", declara o porta-voz do Vaticano.
Foi submetido entretanto a uma traqueotomia.