Mundo
Guerra na Ucrânia
Oleshky. Dias de trégua para cidade obrigada a comer relva para sobreviver
O cessar-fogo tem como objetivo permitir a entrada de mantimentos e a remoção de minas das estradas para que os civis possam abandonar Oleshky em segurança. Há três anos que a cidade, na região de Kherson, foi ocupada pela Rússia. Os habitantes estão cercados, sem comida, água, gás e eletricidade. Há três anos.
Agora está em curso uma trégua que as autoridades ucranianas e russas afirmam que está a ser respeitada. No entanto, existe um receio generalizado de que a trégua não se mantenha. Um dos habitantes de Oleshky desabafou, à BBC: "não acredito na humanidade da Rússia".
O Ministério russo da Defesa garante que interrompeu os disparos esta madrugada, no âmbito dos preparativos para a operação humanitária.
O Ministério russo da Defesa garante que interrompeu os disparos esta madrugada, no âmbito dos preparativos para a operação humanitária.
Do lado ucraniano, o responsável do parlamento para os direitos humanos, Dmytro Lubinets, também confirmou que o cessar-fogo tinha começado. "Como chefe da equipa de negociação ucraniana, confirmo que o lado ucraniano está a cumprir os seus compromissos", escreveu no Facebook.
Nos últimos meses, antes deste cessar-fogo, a Ucrânia tentou entregar mantimentos, sem sucesso. Nesta altura, continua a ser difícil estabelecer contacto com os residentes de Oleshky, uma vez que a comunicação é instável.
Nos últimos meses, antes deste cessar-fogo, a Ucrânia tentou entregar mantimentos, sem sucesso. Nesta altura, continua a ser difícil estabelecer contacto com os residentes de Oleshky, uma vez que a comunicação é instável.
Muitos hesitam em falar sobre a situação por temerem represálias por parte dos russos, o que torna difícil confirmar se o cessar-fogo está, de facto, a ser respeitado.
Ainda assim, de acordo com a BBC, muitos habitantes têm recorrido a relva e outras ervas para se alimentarem e sobreviverem. Estes habitantes relataram à BBC que sofrem de uma fome extrema e querem abandonar a cidade.
Em Oleshky viviam 24 mil pessoas até ser tomada e controlada pela Rússia nos primeiros dias da invasão em grande escala, iniciada em fevereiro de 2022.
A Ucrânia estima que cerca de seis mil pessoas, incluindo 200 crianças, ainda permaneçam na cidade e arredores.
Oleshky, situada ao longo da linha da frente na região de Kherson, encontra-se cercada: de um lado, pelo rio Dnipro que a separa das posições ucranianas, do outro, pelas forças russas.
A trégua, segundo a Casa Branca, foi viabilizada pela primeira-dama norte-americana. Na semana passada, Washington anunciou que Melania Trump tinha obtido um cessar-fogo, sem especificar quanto tempo duraria.
Também são incertos os detalhes quanto à retirada dos civis que temem que a Rússia não permita o regresso à Ucrânia.
Em setembro, o Kremlin reconheceu que Oleshky enfrentava "uma situação crítica" com "problemas com o fornecimento de alimentos e medicamentos", mas culpou Kiev pela situação.
Ainda assim, assegurou que "os militares russos estavam a trabalhar para resolver estas questões".