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OMS considera "antiético" estudo de vacinas na Guiné-Bissau financiado pelos EUA

OMS considera "antiético" estudo de vacinas na Guiné-Bissau financiado pelos EUA

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou hoje "antiético" um estudo financiado pelos Estados Unidos da América (EUA) na Guiné-Bissau que implica excluir parte dos recém-nascidos da administração da vacina contra a hepatite B à nascença.

Lusa /

O arranque do ensaio clínico estava previsto para o início deste ano, mas as autoridades guineenses anunciaram, em janeiro, que tinha sido suspenso, depois da polémica que se gerou com a contestação de vários especialistas.

Para a OMS, este plano experimental, que teria como propósito estudar a reação à doença em recém-nascidos vacinados e outros que não recebiam a vacina, "é contrário à ética", por implicar deixar crianças sem as doses da vacina à nascença.

"Isso poderia expô-las a uma alta probabilidade de infeção, o que implica um número significativo de mortes", alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa, noticiada pela agência de notícias espanhola EFE.

O Departamento de Saúde dos EUA financia com 1,6 milhões de dólares (1,35 milhões de euros) o ensaio clínico previsto para o Projeto de Saúde de Bandim, em Bissau, que implicava também o início da administração da vacina contra a hepatite B ao nascer.

O Governo guineense anunciou, em janeiro, que tinha cancelado o ensaio clínico e adiado a introdução da vacina até 2028, mantendo o atual plano nacional contra a doença, com a vacinação às seis, dez e 14 semanas.

O ensaio clínico que estudaria os diferentes efeitos da vacinação contra hepatite B à nascença abrangia 14.000 recém-nascidos na Guiné-Bissau, sendo que metade seria imunizada ao nascer e a outra metade mantinha o atual plano com a primeira vacina às seis semanas de vida.

"Negar a metade das crianças do mundo o acesso a uma vacina que está disponível, é segura e eficaz há mais de 14 anos, é antiético", afirmou o diretor-geral da OMS, organização que tem como meta até 2028 garantir a vacinação nas primeiras 24 de horas de vida contra a doença em países com prevalência alta da hepatite B, como é o caso da Guiné-Bissau.

O responsável reconheceu que um país soberano pode decidir sobre os calendários de vacinação, mas observou que "este tipo de estudo pode afetar outros países também".

O estudo, conduzido por pesquisadores dinamarqueses e publicado na revista Nature, também foi criticado por especialistas que acusam os Estados Unidos de tentarem obter dados para justificar a redução da vacinação no sistema de saúde norte-americano, de acordo com a EFE.

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