Onda de calor em França: sobe para 55 o número de mortes por afogamento

Onda de calor em França: sobe para 55 o número de mortes por afogamento

É a onda de calor mais longa e severa dos últimos 50 anos na Europa Ocidental. Apesar de uma ligeira melhoria em França, grande parte do território está em alerta máximo e já potenciou a morte de mais de 50 pessoas por afogamento.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Sarah Meyssonnier - Reuters

O calor dos últimos dias vai prolongar-se pelo fim de semana e o Governo francês receia que o número de pessoas afetadas possa aumentar. O número de mortes por afogamento em França, desde o início desta onda de calor excecional, subiu para 55. 

"Ontem à noite[quinta-feira], tínhamos 55 [afogamentos], mas tememos que a situação possa piorar", disse a ministra dos Desportos francesa, Marina Ferrari, à emissora franceinfo.

Mais de 51 milhões de pessoas têm enfrentado temperaturas insuportáveis, o que leva, sobretudo os mais jovens, a procurarem qualquer oportunidade para nadar, incluindo em zonas perigosas ou sem vigilância.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, atualizou as informações sobre a onda de calor e garantiu que a situação está a ser monitorizada de perto. 

“A nossa vigilância está particularmente voltada para as pessoas isoladas em casa. Esse é o objetivo das medidas propostas ontem aos prefeitos da França, principalmente a mobilização da rede de carteiros para apoiar os municípios e seus departamentos de assistência social”, afirmou.

Há ainda 46 mil habitações sem eletricidade, devido às condições climatéricas.
O número de ocorrências e reparações na rede elétrica mantém-se elevado em França, mobilizando mil técnicos do fornecedor Enedis, principalmente na região oeste de Paris e na região de Bordéus (sudoeste).

Perante a duração e intensidade desta onda de calor histórica, a Enedis acionou o FIRE (Força de Intervenção Rápida em Eletricidade), informou em comunicado: "Estamos a dar atenção especial às condições de trabalho das nossas equipas e contratados diante desta situação de calor extremo". Onda de calor recua e traz tempestades
Com 61 regiões em alerta máximo, a onda de calor recuou ligeiramente em França esta sexta-feira, após o pico de quinta-feira, segundo a Météo France. É uma melhoria gradual esperada em catorze regiões até sábado de manhã.

A urgência do Hospital Europeu Georges Pompidou, um dos principais hospitais da capital francesa, está sob forte pressão devido à onda de calor. Segundo o chefe do departamento de urgência, Philippe Juvin, a situação é "extremamente grave". 

Desde segunda-feira, "o fluxo de doentes não diminuiu” e “aumentou significativamente” na quinta-feira, disse o professor de Medicina à BFMTV/RMC.

"Os corredores estão cheios" de doentes "maioritariamente idosos", mas também de doentes "na casa dos 50 e 60 anos", apresentando "febres muito elevadas", indicou, mencionando ainda "pessoas sem-abrigo a chegar com uma temperatura de 42°C”.
Marcha do Orgulho LGBT+ marcada adiada
Os organizadores anunciaram que foi adiada a marcha, depois de as autoridades de Paris terem pedido para que se cancelasse a marcha agendada para sábado, devido à onda de calor.

A parada reúne, geralmente, dezenas de milhares de pessoas nas ruas da cidade. A polícia já tinha feito o mesmo pedido a um festival de música chamado Solidays e a uma competição de atletismo no Estádio Charlety, que também deveriam atrair dezenas de milhares de pessoas.

As autoridades francesas anunciaram também a proibição do consumo e da venda de álcool em locais públicos em Paris, numa tentativa de aliviar a pressão sobre os hospitais da capital durante a onda de calor.

Os parisienses ficarão proibidos de consumir álcool em público a partir do meio-dia de sexta-feira até as 7h00 de sábado. As medidas permanecem em vigor durante o mesmo horário de sábado para domingo.
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