OneWeb e Starlink entram em competição direta por um "espaço" no Espaço

A órbita da Terra está a encolher. Não fisicamente, mas sim para arranjar um espaço para os novos satélites que as companhias, privadas e estatais, estão a produzir. Prova disso é o mais recente anúncio de uma empresa britânica, OneWeb, que anunciou que vai fornecer um novo serviço de internet a partir do espaço.

Nuno Patrício - RTP /
Fotos e vídeo: OneWeb/DR

A concretizar-se este novo projecto a OneWeb, a nova agência espacial no Reino Unido, entra em concorrência direta com a Starlink de Elon Musk.

Apesar de o sistema da OneWeb ser em tudo semelhante à da concorrência norte-americana, a empresa britânica afirma que o plano da Starlink não é um caminho responsável para as próximas gerações. Ou seja, afirma que colocar milhares de satélites em órbita só vai prejudicar o espaço lá em cima.

Chris McLaughlin, um dos responsáveis da OneWeb, diz que o lançamento de milhares de satélites na Internet não é uma boa maneira de ajudar as próximas gerações de pessoas.

Mas o certo é que a empresa britânica quer colocar lá em cima mais 648 satélites que se juntam aos milhares que ocupam neste momento a órbita terrestre, fora o lixo espacial.

Além da OneWeb e da SpaceX, também a Amazon anunciou recentemente planos para lançar uma constelação de mais de três mil satélites com o mesmo intuito: fornecer conexão à internet em estratégia concorrencial. Mas não só. Estão em marcha novas constelações de satélites de internet russa e de orientação GPS europeu (Galileo).


OneWeb renasce das cinzas
De acordo com o último relatório da Business Insider, a operadora de banda larga por satélite de propriedade britânica, em novembro passado apresentou-se como uma empresa falida, insolvente, e quase foi fechada devido a problemas financeiros. No entanto, agora surge cheia de vitalidade e com capacidade económica para rivalizar com a Starlink de Elon Musk.

Mas então o que se passou? A resposta é simples. A OneWeb foi adquirida por um consórcio indiano, a Bharti Global, e o governo do Reino Unido. Um negócio quase secreto e que foi consumado no ano passado.

A nova administração prevê agora a oferta de um serviço comercial ainda neste outono para as latitudes do norte - incluindo Grã-Bretanha, Norte da Europa, Alasca, Canadá, Gronelândia, Islândia e Mares Árticos - com um lançamento global completo de conectividade em meados de 2022.

O projecto é tão ambicioso que o presidente-executivo Neil Masterson afirma, à BBC News, que a One Web tem “o que chamamos de 'cinco a 50' (graus de latitude). Portanto, são cinco lançamentos que precisamos fazer para conseguir essa cobertura da costa sul do Reino Unido até o Pólo Norte. Até ao final de junho, teremos concluído os lançamentos que vão permitir prestar o nosso serviço. Mas este ano esperamos fazer entre oito e 10 lançamentos, no total", explicou Masterson.


A BBC News já confirmou que nos finais de março a agência espacial do Reino Unido terá conseguido mesmo um encaixe financeiro de mais de 400 milhões de Euros de várias empresas de tecnologia, como Hughes Network Systems e Softbank.

O plano do OneWeb é semelhante ao da Stallink da SpaceX. No entanto, a empresa confirmou que pretende enviar apenas cerca de 648 satélites a uma latitude de 1200 quilómetros em órbita para fornecer os locais que mais necessitam de serviço de Internet.

A Starlink tem agora um total de mais de 1300 satélites em órbita a 550 quilómetros. Mas a empresa de Elon Musk quer uma rede maior e espera lançar 42 mil mini satélites até meados de 2027.

Com estas pretensões por parte das companhias privadas, são cada vez mais os críticos e analistas que dizem que a colocação de tantos engenhos no espaço pode levar à poluição da órbita terrestre.

OneWeb já lançou 36 satélites
Ao contrário do SpaceX, o OneWeb parece não se concentrar no número de satélites da Internet.

"Estamos começando a pensar que menos é mais", diz Chris McLaughlin. "Eles [SpaceX] querem colocá-los todos no mesmo lugar, a 550 quilómetros, e realmente não têm mais ninguém nesse espaço", acrescentou. Algo que do ponto de vista estratégico é muito bom. Por essa razão os futuros concorrentes vão ter de colocar os seus satélites mais longe. Logo vão ter de ter mais potência de receção e transmissão.

A corrida já começou, tendo já a OneWeb sido capaz de enviar 36 satélites de internet banda larga para órbita. As novas plataformas foram colocadas em órbita por um foguete Soyuz do Extremo Oriente da Rússia.

As primeiras adições vão permitir já que os engenheiros testem o novo sistema, prometido pela empresa, para fornecer conexões de internet banda larga a partir do espaço.
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