ONG denuncia execuções sumárias na Tanzânia durante protestos em 2025 denuncia relatório
Uma Organização Não-Governamental (ONG) denunciou hoje execuções sumárias durante os protestos contra o Governo tanzaniano em 2025, perpretadas pelas forças de segurança, baseando-se na análise de fotos e vídeos divulgados online e imagens captadas por `drones` e satélites.
O Centre for Information Resilience (CIR, na sigla em inglês), uma organização independente sediada no Reino Unido que realiza investigações digitais, recuperou e analisou 185 imagens e vídeos datados de 29 de outubro a 04 de novembro --- cinco dias durante os quais, além do bloqueio da Internet, vigorava um toque de recolher na Tanzânia ---, bem como imagens de satélite e filmagens feitas por `drones`, segundo um relatório divulgado hoje pela organização.
Após 29 de outubro, dia das eleições legislativas e presidenciais consideradas fraudulentas por observadores internacionais, a Tanzânia, país vizinho de Moçambique, mergulhou em vários dias de violência.
Segundo a oposição, mais de duas mil pessoas, incluindo manifestantes hostis ao Governo, foram mortas pelas forças de segurança durante vários dias.
No relatório, o CIR afirma ter "confirmado o uso repetido de balas reais pelas forças de segurança e por homens armados à civil, o que causou vítimas", bem como ter "identificado possíveis valas comuns a partir de imagens de satélite e confirmado grandes pilhas de corpos" graças a conteúdos online e a imagens que mostram civis agredidos e humilhados.
Os vídeos analisados pela ONG mostram "tiros contra manifestantes em fuga, incluindo uma mulher grávida", em Arusha, no norte do país, bem como imagens noturnas de Mwanza, também norte, que "mostram prováveis execuções sumárias longe dos principais locais de protesto".
A Internet no país da África Oriental ficou cortada durante cinco dias, o que inicialmente impediu a divulgação de imagens dos assassínios.
As autoridades tanzanianas ameaçaram a população com processos judiciais para impedir o aparecimento de tais conteúdos online, mas alguns ativistas dos direitos humanos documentaram e divulgaram as atrocidades cometidas.
Uma delas foi a ativista tanzaniana dos direitos humanos Mange Kimambi, que publicou, na rede social X, três vídeos que mostram uma dúzia de cadáveres de jovens. Já a opositora Maria Sarungi Tsehai afirmou que crianças "foram mortas a tiro por polícias tanzanianos".
Mwanza foi um dos principais focos de protesto.
Na capital económica, Dar Es Salam, imagens de `drone` obtidas pelo CIR mostram "um camião branco a perseguir civis, antes de os seus ocupantes saírem e começarem a disparar indiscriminadamente contra as casas vizinhas".
Um médico, entrevistado pela agência de notícia France-Presse (AFP), declarou que centenas de pacientes e cadáveres foram levados do hospital para locais secretos no auge dos distúrbios.
A ONG afirma também ter encontrado provas de terra recentemente remexida, entre 02 e 05 de novembro no cemitério de Kondo, perto de Dar Es Salam, um local que um alto funcionário do Governo, indignado com a repressão, indicou como possível localização de uma vala comum.
Diversas imagens de satélite analisadas pelo CIR mostram estruturas temporárias erguidas, durante a violência, no terreno do hospital distrital de Kivule, na capital económica, corroborando informações recolhidas no local pela ONG que referem uma morgue improvisada para fazer face ao afluxo de cadáveres, de acordo com o relatório.
Há sinais de outra possível vala comum na escola agrícola de Tengeru, em Arusha, também identificada pelo CIR.