Mundo
ONU: 13.000 pessoas em fuga no sul da República do Congo
As violações dos Direitos Humanos na República do Congo sucedem-se desde a reeleição em março do Presidente Nguesso, contestada pela oposição. No sul, registam-se confrontos alegadamente entre o exército e os Ninjas, um grupo semi-religioso rebelde. A violência está a provocar a fuga de milhares de pessoas da região.
"Receamos que cerca de 13.000 pessoas deslocadas fiquem em breve sem nada para comer", referiu o porta voz do ACNUR em conferência de imprensa esta tarde em Genebra.
Médicos e professores também fugiram pelo que as pessoas estão "igualmente com dificuldade em receber cuidados médicos e em estudar", acrescentou o porta-voz da agência da ONU para os refugiados.
Os habitantes estarão a fugir da violência que opõe o exército da República do Congo a alegados rebeldes, conhecidos como Ninjas, apoiantes de Frédéric Bintsamou, ou Pastor Ntumi.
Os últimos confrontos têm-se concentrado na região de Pool, a mesma onde as forças governamentais e os Ninjas se defrontaram desde 1998 e antes de um acordo de cessar fogo ter sido celebrado em 2007.
Eleição contestada
Esta sexta-feira, o Observatório congolês dos Direitos do Homem (OCDH) denunciou por seu lado em Brazzaville a "ameaça séria" e a "persistência" das violações dos direitos humanos no país, nomeadamente após as presidenciais.
Numa declaração intitulada "os nossos direitos estão em perigo", o OCDH diz estar a aproveitar a jornada dos Direitos do Homem desde sábado para "interpelar todos os atores e em primeiro lugar, as autoridades congolesas, sobre a séria ameaça que pesa sobre os direitos humanos em Congo-Brazaville" - nome pelo qual também é referida a República do Congo.
Após a reeleição a 20 de março de 2016 do Presidente Denis Sassou Nguesso, para um terceiro mandato, a violência e as violações dos Direitos Humanos regressaram, refere a OCDH.
Frédéric Bintsamou é autarca em Pool desde 2014 e apoiou a candidatura presidencial do deputado da oposiçãoGuy Brice-Parfait Kolelas. Está entre os que contestam os resultados eleitorais, que deram 61 por cento dos votos a Nguesso na primeira volta.
No início do mês de abril registaram-se ataques aos bairros sul de Brazzaville, que coincidiram com a aprovação da eleição de Nguesso pelo Tribunal Constitucional do Congo.
A OCDH não se referiu explicitamente à região sul do país, em particular a Pool, nem atribuiu aos Ninjas de Pastor Ntumi responsabilidades específicas na deterioração dos Direitos Humanos no Congo.
Caos e laxismo das autoridades
"Este ano de 2016 foi marcado por graves violações dos direitos humanos ligados à crise-pós eleitoral mas também por garves violações sem ligações a esta questão", declarou Trésor Nzila, diretor executivo do OCDH, para quem os seus compatriotas não gozam plenamente dos seus direitos.
A organização não governamental denuncia como exemplo das violações dos direitos humanos no país, as detenções políticas, as perseguições judiciais contra jornalistas, o confisco total das liberdades políticas, os atentados ao direito a processos justos, a violação e outras formas de agressão sexual, a tortura, incluindo por motivos políticos, as prisões e detenções arbitrárias e as execuções sumárias.
"Milhares de congoleses permanecem privados do essencial: os empregos prometidos permanecem uma utopia, nota-se um acesso difícil aos cuidados de saúde, à educação, a um alojamento decente; um acesso não satisfatório à água e à eletricidade", relata a OCDH.
"Quanto aos direitos civis e políticos, a situação é também caótica", acrescenta o relatório referindo que a "tradicional liberdade do exercício dos direitos e liberdades fundamentais sofreu um golpe fatal".
E aponta o dedo às autoridades: "esta repetição trágica das violações dos direitos humanos é consequência do laxismo das mais altas autoridades, incluindo da Justiça, que nada fazem para limitar os atentados aos direitos humanos".
Em outubro, pelo menos 14 pessoas morreram num ataque a um comboio atribuído aos ninjas de Pool.
Médicos e professores também fugiram pelo que as pessoas estão "igualmente com dificuldade em receber cuidados médicos e em estudar", acrescentou o porta-voz da agência da ONU para os refugiados.
Os habitantes estarão a fugir da violência que opõe o exército da República do Congo a alegados rebeldes, conhecidos como Ninjas, apoiantes de Frédéric Bintsamou, ou Pastor Ntumi.
Os últimos confrontos têm-se concentrado na região de Pool, a mesma onde as forças governamentais e os Ninjas se defrontaram desde 1998 e antes de um acordo de cessar fogo ter sido celebrado em 2007.
Eleição contestada
Esta sexta-feira, o Observatório congolês dos Direitos do Homem (OCDH) denunciou por seu lado em Brazzaville a "ameaça séria" e a "persistência" das violações dos direitos humanos no país, nomeadamente após as presidenciais.
Numa declaração intitulada "os nossos direitos estão em perigo", o OCDH diz estar a aproveitar a jornada dos Direitos do Homem desde sábado para "interpelar todos os atores e em primeiro lugar, as autoridades congolesas, sobre a séria ameaça que pesa sobre os direitos humanos em Congo-Brazaville" - nome pelo qual também é referida a República do Congo.
Após a reeleição a 20 de março de 2016 do Presidente Denis Sassou Nguesso, para um terceiro mandato, a violência e as violações dos Direitos Humanos regressaram, refere a OCDH.
Frédéric Bintsamou é autarca em Pool desde 2014 e apoiou a candidatura presidencial do deputado da oposiçãoGuy Brice-Parfait Kolelas. Está entre os que contestam os resultados eleitorais, que deram 61 por cento dos votos a Nguesso na primeira volta.
No início do mês de abril registaram-se ataques aos bairros sul de Brazzaville, que coincidiram com a aprovação da eleição de Nguesso pelo Tribunal Constitucional do Congo.
A OCDH não se referiu explicitamente à região sul do país, em particular a Pool, nem atribuiu aos Ninjas de Pastor Ntumi responsabilidades específicas na deterioração dos Direitos Humanos no Congo.
Caos e laxismo das autoridades
"Este ano de 2016 foi marcado por graves violações dos direitos humanos ligados à crise-pós eleitoral mas também por garves violações sem ligações a esta questão", declarou Trésor Nzila, diretor executivo do OCDH, para quem os seus compatriotas não gozam plenamente dos seus direitos.
A organização não governamental denuncia como exemplo das violações dos direitos humanos no país, as detenções políticas, as perseguições judiciais contra jornalistas, o confisco total das liberdades políticas, os atentados ao direito a processos justos, a violação e outras formas de agressão sexual, a tortura, incluindo por motivos políticos, as prisões e detenções arbitrárias e as execuções sumárias.
"Milhares de congoleses permanecem privados do essencial: os empregos prometidos permanecem uma utopia, nota-se um acesso difícil aos cuidados de saúde, à educação, a um alojamento decente; um acesso não satisfatório à água e à eletricidade", relata a OCDH.
"Quanto aos direitos civis e políticos, a situação é também caótica", acrescenta o relatório referindo que a "tradicional liberdade do exercício dos direitos e liberdades fundamentais sofreu um golpe fatal".
E aponta o dedo às autoridades: "esta repetição trágica das violações dos direitos humanos é consequência do laxismo das mais altas autoridades, incluindo da Justiça, que nada fazem para limitar os atentados aos direitos humanos".
Em outubro, pelo menos 14 pessoas morreram num ataque a um comboio atribuído aos ninjas de Pool.